Team Brazil reúne cinco equipes brasileiras de robótica e terá robôs humanoides totalmente autônomos em competição internacional na China
O Brasil terá uma seleção diferente em campo a partir deste sábado (22). Em vez de jogadores de carne e osso, quem vai representar o país nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, na China, serão robôs programados por estudantes e pesquisadores brasileiros.
A equipe, chamada Team Brazil, foi formada pela união de cinco grupos que já participam da RoboCup: RoboFEI, Bahia Robotics Team, RobôCIn, Warthog Robotics e Talos Humanoid Robots. A participação brasileira ocorre entre os dias 22 e 26 de agosto, no Oval Nacional de Patinação de Velocidade, conhecido como “Fita de Gelo”, em Pequim.
A formação reúne integrantes de diferentes regiões e instituições de ensino e pesquisa do país, incluindo o Centro Universitário FEI, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Goiás (UFG).
Uma seleção formada por equipes diferentes
A participação de 2026 representa um passo inédito para o Brasil na competição. Pela primeira vez, o RCAP Beijing Masters recebe uma seleção nacional formada pela união de diferentes equipes da RoboCup.
A experiência começou a ser construída na edição de 2025. Na ocasião, a RoboFEI representou o Brasil no futebol humanoide 3 contra 3 e terminou na quinta colocação geral. O resultado ajudou a ampliar a experiência dos grupos brasileiros em uma competição que exige conhecimentos avançados de robótica, inteligência artificial e visão computacional.
Agora, os antigos adversários em competições universitárias passam a trabalhar juntos, compartilhando estratégias, códigos, experiências e soluções para tentar melhorar o desempenho brasileiro em campo.
Robôs precisam jogar sem serem controlados por humanos
No futebol humanoide, não basta fazer o robô caminhar ou chutar uma bola. As máquinas precisam interpretar o ambiente e tomar decisões de maneira autônoma.
Durante as partidas, os robôs devem identificar a bola, localizar companheiros e adversários, movimentar-se pelo campo e decidir quando atacar, defender ou tentar finalizar uma jogada.
O trabalho dos estudantes e pesquisadores está justamente em desenvolver os sistemas responsáveis por essas decisões. Tecnologias como visão computacional, controle de movimento, percepção do ambiente, inteligência artificial e coordenação entre múltiplos robôs são colocadas à prova durante as partidas.
Os robôs utilizados na competição são humanoides, capazes de se movimentar sobre duas pernas. Diferentemente de um videogame ou de um equipamento controlado remotamente, a proposta é que as ações aconteçam de forma autônoma, a partir dos programas desenvolvidos pelas equipes.
Brasil une ciência, futebol e tecnologia
A presença do Team Brazil em Pequim mostra como o futebol também pode servir como laboratório para o desenvolvimento tecnológico. Ao tentar fazer máquinas entenderem um jogo e reagirem em tempo real, os pesquisadores trabalham com desafios que podem ter aplicações em outras áreas da robótica.
A competição coloca lado a lado equipes de diferentes países e centros de pesquisa, criando um ambiente de intercâmbio científico e tecnológico. Além do Brasil, participam grupos de países como China, Alemanha, Itália, México, Malásia e Tailândia.
A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides também terá uma participação maior do que a estreia, em 2025. Segundo informações divulgadas pela RTP, o evento deste ano reúne 666 equipes e mais de 2 mil robôs de 16 países, com participação de universidades, instituições de pesquisa e empresas de tecnologia.
Para o Team Brazil, o desafio começa neste sábado. Em campo, a expectativa é ver até onde a combinação entre pesquisa brasileira, inteligência artificial e paixão pelo futebol pode levar uma seleção formada por robôs.


