Planos nacionais de conservação incluem tamanduás, tatus, antas, cervos e queixadas, com medidas para combater incêndios, atropelamentos, caça e perda de habitat em diferentes biomas brasileiros.
Celebrado neste domingo, 4 de outubro, o Dia dos Animais ganha um significado especial em 2026 com o avanço de estratégias nacionais voltadas à conservação da fauna brasileira. Dois planos de ação coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estabelecem medidas para proteger dez espécies de mamíferos, com atividades previstas até 2031.
As iniciativas buscam enfrentar ameaças que comprometem a sobrevivência desses animais, como a destruição de ambientes naturais, os incêndios, a caça e os atropelamentos em rodovias. Também incluem ações para recuperar populações, melhorar as condições dos habitats e reduzir os impactos provocados pelas atividades humanas.
Entre as espécies contempladas estão o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, o tatu-canastra, o tatu-bolinha, a anta, o cervo-do-pantanal, o veado-campeiro e a queixada. Embora nem todas estejam na mesma categoria de ameaça, o conjunto das medidas busca fortalecer a conservação da biodiversidade brasileira.
Planos de conservação abrangem diferentes biomas
Um dos programas é o segundo ciclo do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá e Tatus, cuja vigência começou em 1º de setembro de 2026 e se estende até 1º de setembro de 2031.
A estratégia contempla quatro espécies. O tatu-bola é classificado como Em Perigo, enquanto o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra estão na categoria Vulnerável. O tatu-bolinha também foi incluído após ser reconhecido como ameaçado na avaliação nacional mais recente.
As ações previstas envolvem oito frentes de trabalho, com medidas para reduzir os efeitos dos incêndios, da exposição a agrotóxicos, dos empreendimentos e das colisões com veículos. O planejamento também considera iniciativas de manejo e prevenção de doenças.
A área de atuação abrange os seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. A proposta prevê o acompanhamento periódico dos resultados, com monitoramento anual e avaliações intermediária e final.
Antas, cervos e queixadas também estão entre as prioridades
O segundo programa é o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ungulados, que entrou em vigor em março de 2026 e tem vigência até 2 de março de 2031.
O plano contempla seis espécies de mamíferos. Entre elas, o cervo-do-pantanal, o veado-bororó-do-sul, o veado-campeiro, a anta e a queixada são classificados como Vulneráveis na lista nacional mencionada no planejamento. Já o veado-mateiro-pequeno está na categoria Quase Ameaçado.
A iniciativa reúne 89 ações distribuídas em oito objetivos específicos. Entre as prioridades estão a recuperação de habitats, a conexão entre áreas naturais e a conservação da diversidade genética, fatores importantes para a manutenção de populações saudáveis ao longo do tempo.
O programa também prevê medidas para diminuir os impactos da caça e os conflitos entre pessoas e animais silvestres. Outros pontos de atenção incluem espécies invasoras, animais domésticos, agrotóxicos, contaminantes e agentes causadores de doenças.
Proteção da fauna depende de ações contínuas
A criação de planos nacionais representa uma etapa importante para organizar as prioridades de conservação, mas os resultados dependem da execução das medidas previstas e do acompanhamento dos avanços ao longo dos anos.
Incêndios, fragmentação de habitats e estradas que atravessam áreas naturais são exemplos de desafios que exigem planejamento, fiscalização, pesquisa científica e participação de diferentes setores da sociedade.
No Dia dos Animais, as iniciativas reforçam que proteger a fauna vai além de reconhecer a importância de cada espécie. Significa preservar os ambientes dos quais elas dependem e manter o equilíbrio dos ecossistemas.
Com metas estabelecidas até 2031, os dois planos do ICMBio oferecem um roteiro para acompanhar os esforços de conservação de mamíferos brasileiros e enfrentar ameaças que colocam parte dessa riqueza natural em risco.


