Moeda acumula queda no mês e no ano, enquanto bolsa recua após recorde histórico
O dólar voltou a cair frente ao real e encerrou esta quarta-feira (25) cotado a R$ 5,125, registrando o menor valor em 21 meses. A desvalorização da moeda norte-americana ocorre em um cenário mais favorável aos países emergentes e reforça o movimento de entrada de capital estrangeiro no Brasil.
Ao longo do dia, a cotação apresentou oscilações: chegou a bater R$ 5,12 nas primeiras horas de negociação, subiu momentaneamente para R$ 5,16 no início da tarde e, depois, recuou gradualmente até fechar próxima da mínima diária. No acumulado de fevereiro, o dólar já registra queda superior a 2%, enquanto em 2026 a desvalorização passa de 6%.
Bolsa recua após máxima histórica
Depois de bater recorde na sessão anterior, o mercado acionário brasileiro apresentou leve ajuste. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 191.247 pontos, com recuo de 0,13%.
O movimento foi marcado pela chamada “realização de lucros”, quando investidores vendem ações após uma sequência de altas para garantir ganhos. Mesmo com a valorização de papéis ligados à mineração — impulsionados pela alta do minério de ferro no mercado internacional — o índice terminou o dia em leve queda.
Fluxo externo favorece emergentes
O cenário internacional contribuiu para o desempenho positivo do real. A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar medidas tarifárias mais amplas e a imposição de uma tarifa unilateral de 10% sobre importações — abaixo do percentual inicialmente anunciado — reduziram tensões comerciais e favoreceram mercados emergentes.
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a nova tarifa deve atingir apenas 25% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, enquanto cerca de 46% das vendas ficaram isentas no novo regime tarifário.
Impactos para o Brasil
A queda do dólar tende a aliviar pressões inflacionárias, principalmente sobre produtos importados e combustíveis. Por outro lado, pode reduzir a competitividade de exportadores em determinados setores. Já o desempenho da bolsa indica um mercado cauteloso, mas ainda sustentado por forte entrada de recursos externos.
O movimento reforça a percepção de que o Brasil continua atraente para investidores internacionais, especialmente em momentos de maior estabilidade nas relações comerciais globais.


