Procedimento inédito reconstruiu a pelve da paciente após perda quase total da estrutura óssea e abre novas perspectivas para casos ortopédicos de alta complexidade.
Uma cirurgia inédita realizada no Distrito Federal marcou um importante avanço na ortopedia brasileira. Uma paciente de 74 anos tornou-se a primeira pessoa da capital federal a passar por um transplante de quadril com enxerto ósseo estrutural, técnica utilizada para reconstruir praticamente toda a região da pelve comprometida por uma fratura grave e pela falha de uma prótese antiga.
O procedimento foi realizado no Hospital Home, no dia 30 de junho, após um longo planejamento cirúrgico. A intervenção teve como objetivo restaurar a estrutura óssea da paciente e devolver a possibilidade de voltar a caminhar sem dores.
A paciente sofreu uma queda no início deste ano, mas a fratura não foi identificada imediatamente. Mesmo enfrentando fortes dores, ela continuou utilizando um andador para realizar suas atividades diárias. Somente semanas depois, exames especializados revelaram uma fratura no acetábulo — região da pelve responsável por receber a articulação do quadril — além do rompimento da prótese implantada anos antes.
Reconstrução exigiu técnica altamente especializada
Com a evolução da lesão, a paciente perdeu praticamente toda a estrutura óssea que sustentava a prótese do lado direito da pelve. Além disso, o implante havia migrado para o interior da cavidade pélvica, aproximando-se de vasos sanguíneos, nervos e outros órgãos, tornando o procedimento ainda mais delicado.
Diante desse cenário, a equipe médica optou por uma reconstrução utilizando um enxerto ósseo estrutural proveniente de doação. O tecido foi fornecido pelo Banco de Tecidos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, após passar por rigorosos protocolos de seleção, esterilização e armazenamento.
Durante aproximadamente oito horas de cirurgia, os especialistas reconstruíram a região afetada e implantaram uma nova prótese sobre a estrutura óssea restaurada.
Tecnologia 3D aumentou a segurança do procedimento
Antes da cirurgia, os médicos recorreram à tecnologia de impressão tridimensional para reproduzir com precisão a anatomia da paciente. A partir de imagens obtidas por tomografia computadorizada, foi criada uma réplica da pelve, permitindo que toda a reconstrução fosse simulada previamente.
Esse planejamento possibilitou definir antecipadamente os pontos de fixação da nova prótese, reduzindo riscos e aumentando a precisão em uma cirurgia considerada de elevada complexidade.
Segundo a equipe médica, uma artroplastia convencional não seria suficiente devido à extensa perda óssea. A reconstrução com enxerto foi considerada a única alternativa capaz de devolver estabilidade ao quadril.
Recuperação apresenta evolução positiva
A paciente seguirá sendo acompanhada pelos especialistas nos próximos meses para verificar a integração do enxerto ao organismo. A previsão é que os primeiros passos sejam iniciados em cerca de três meses, com posterior reabilitação utilizando recursos como esteira antigravitacional, que reduz o impacto durante a recuperação.
O primeiro resultado já é animador: as dores que acompanhavam a paciente desapareceram após a cirurgia. Se a recuperação evoluir conforme o esperado, ela poderá retomar gradualmente suas atividades e recuperar a mobilidade perdida após a queda.
O procedimento representa um importante avanço para a ortopedia no Distrito Federal e demonstra como o planejamento cirúrgico aliado a novas tecnologias e ao uso de bancos de tecidos pode ampliar as possibilidades de tratamento em casos considerados extremamente complexos.


