Trilha em meio à Serra dos Pireneus revela rochas esculpidas pelo tempo, mirantes e paisagens que parecem ter saído de um cenário de fantasia
Entre as atrações naturais que cercam Pirenópolis, existe um destino que ainda preserva a sensação de descoberta: a Cidade de Pedras. Escondida em meio à paisagem da Serra dos Pireneus, a região reúne enormes formações de quartzito, vales, mirantes e caminhos que atravessam uma das paisagens mais impressionantes do Cerrado goiano.
O cenário está distante do movimento do centro histórico de Pirenópolis e apresenta uma experiência completamente diferente das tradicionais cachoeiras que fazem parte dos roteiros turísticos do município. Ali, o protagonista é o próprio relevo.

As formações rochosas foram moldadas por processos geológicos ao longo de milhões de anos. Na região dos Pireneus, o quartzito aparece em estruturas dobradas e fraturadas, resultado de transformações geológicas que ajudaram a construir o relevo singular observado atualmente.
Um cenário que parece uma cidade esculpida em pedra
O nome não é por acaso. Ao percorrer as trilhas, o visitante encontra enormes blocos e paredões de pedra que, dependendo do ângulo e da imaginação, lembram animais, pessoas e construções.
É justamente essa característica que deu origem a nomes populares atribuídos às formações. Entre elas estão referências como a Pedra da Mula Sem Cabeça, o Dromedário, o Portal do Faraó e o Mirante do Mamute.

Mais do que simples pontos para fotografar, essas formações ajudam a transformar a caminhada em uma espécie de viagem pela imaginação. A cada trecho, o desenho das rochas muda e revela uma nova perspectiva da paisagem.
A área também está inserida em uma região de grande importância ambiental. A APA dos Pireneus abrange Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás e foi criada para proteger remanescentes do Cerrado, recursos hídricos e o entorno do Parque Estadual dos Pireneus, além de contribuir para o turismo ecológico e a educação ambiental.
Uma caminhada para quem gosta de aventura
A visita à Cidade de Pedras não é um passeio convencional.
Informações oficiais do Governo de Goiás descrevem o acesso como difícil, com trechos por estradas de terra e trilhas que podem exigir acompanhamento de guia. O percurso apresenta grau de dificuldade entre moderado e alto.
Dependendo do roteiro escolhido, a caminhada pode chegar a aproximadamente 12 a 14 quilômetros, passando por diferentes pontos de contemplação e mirantes. Em algumas experiências, o passeio pode ocupar praticamente um dia inteiro.

Por isso, calçados adequados para trilha, roupas confortáveis, proteção contra o sol, chapéu e água são itens importantes para quem pretende conhecer o lugar.

Também é recomendável buscar orientação de profissionais que conheçam a região. Além de facilitar a navegação pelas trilhas, um guia pode ajudar o visitante a compreender melhor as formações e os cuidados necessários para percorrer o ambiente natural.
O encontro entre pedra, céu e Cerrado
Um dos momentos mais marcantes do passeio acontece quando a trilha alcança os pontos mais altos e o horizonte se abre.
De cima dos mirantes, as formações rochosas aparecem integradas à vegetação do Cerrado, criando um contraste entre as pedras e o verde que se espalha pelo vale.

É uma paisagem que muda conforme a iluminação. Nas primeiras horas da manhã, as sombras acentuam os contornos das rochas. Ao longo do dia, o sol revela diferentes tonalidades e detalhes das formações.
A Serra dos Pireneus, onde está inserida essa paisagem, possui importância geológica e ambiental para Goiás. O Parque Estadual dos Pireneus, que fica na mesma região, protege uma área de 2.834 hectares e apresenta formações rochosas associadas ao quartzito, além de ambientes de cerrado rupestre.
Um destino diferente em Pirenópolis
Pirenópolis já é conhecida pelo patrimônio histórico, pelas cachoeiras, pela gastronomia e pelas tradicionais festas. Mas a Cidade de Pedras apresenta outro lado do município: mais selvagem, silencioso e voltado à contemplação e à aventura.
O próprio inventário turístico de Pirenópolis registra a Cidade de Pedra entre os atrativos naturais do município, classificando-a como unidade de conservação e indicando acesso pela Estrada dos Pireneus.
Para quem gosta de destinos menos convencionais, a experiência pode ser uma oportunidade de conhecer uma paisagem ainda pouco explorada pelo turismo de massa.

Mais do que chegar ao destino, porém, a proposta está no caminho: caminhar pelo Cerrado, observar as formas criadas pela natureza e perceber como milhões de anos de transformações geológicas produziram um cenário que hoje parece quase impossível de ser real.
A Cidade de Pedras é um daqueles lugares que lembram que Goiás vai muito além das paisagens já conhecidas. Entre vales, quartzitos e mirantes, a natureza construiu sua própria arquitetura — e deixou para o visitante a tarefa de descobri-la.
Informações para quem pretende conhecer
Os roteiros oferecidos por receptivos locais podem variar em distância, duração e pontos visitados. Há experiências que incluem guia especializado, transporte, paradas para lanche e percursos de várias horas.
Como as condições das estradas e das trilhas podem mudar conforme o clima, é importante confirmar previamente as condições de acesso, a necessidade de veículo apropriado e as regras de visitação.


