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Brasileira de 83 anos percorre 634 km no Caminho de Santiago e prova que nunca é tarde para realizar um sonho

Aposentada gaúcha enfrentou 17 dias de caminhada, superou desafios físicos e emocionais e concluiu uma das peregrinações mais conhecidas do mundo

A idade nunca foi um obstáculo para Marlene Terezinha de Carvalho Leite. Aos 83 anos, a aposentada transformou um sonho cultivado durante quase uma década em realidade ao completar aproximadamente 634 quilômetros no tradicional Caminho de Santiago, uma das rotas de peregrinação mais famosas do planeta.

Moradora de Imbé, no litoral do Rio Grande do Sul, a ex-professora concluiu a jornada em março de 2026 após caminhar durante 17 dias entre Lisboa, em Portugal, e Santiago de Compostela, na Espanha. A conquista chamou atenção por demonstrar que planejamento, determinação e preparo podem tornar possíveis desafios que muitos considerariam inalcançáveis.

Um sonho que esperou oito anos para acontecer

A ideia surgiu cerca de oito anos antes, quando Marlene conheceu duas brasileiras que haviam percorrido o Caminho de Santiago. A conversa despertou o desejo de viver a mesma experiência, mas foi preciso tempo para organizar recursos financeiros e preparar o corpo para uma caminhada de longa distância.

O passaporte do peregrino de Marlene Terezinha de Carvalho Leite reúne os carimbos coletados ao longo dos 634 quilômetros percorridos entre Lisboa, em Portugal, e Santiago de Compostela, na Espanha. Cada registro comprova as etapas da peregrinação e foi essencial para a emissão da tradicional Compostela, certificado concedido aos peregrinos que concluem oficialmente o Caminho de Santiago.

Em 2025, ela vendeu um apartamento e destinou parte do valor para financiar a viagem. Nos dois meses que antecederam o embarque, adotou uma rotina intensa de preparação física, treinando de segunda a sexta-feira com caminhadas, alongamentos e exercícios voltados ao ganho de resistência.

O objetivo era enfrentar etapas diárias que variavam entre 15 e 25 quilômetros.

Superação em cada etapa da caminhada

Mesmo com toda a preparação, o percurso apresentou desafios constantes.

Durante a peregrinação, Marlene perdeu o caminho em três ocasiões, enfrentou chuva, cansaço acumulado e precisou adaptar parte do trajeto para preservar a própria saúde. Em alguns trechos, utilizou trem e transporte por aplicativo para alcançar locais de hospedagem previamente reservados.

Outro desafio foi carregar uma mochila de aproximadamente cinco quilos durante boa parte da viagem.

Hipertensa, mas sem limitações físicas que impedissem a atividade, a aposentada também adotou cuidados diários para evitar lesões, utilizando vaselina e produtos específicos para proteger os pés contra bolhas, um dos problemas mais comuns entre peregrinos.

Solidariedade transformou o percurso

Além da resistência física, a caminhada também foi marcada por gestos de solidariedade.

Como muitos albergues não ofereciam café da manhã, houve momentos em que Marlene permaneceu longos períodos sem conseguir fazer refeições completas. Em uma dessas situações, funcionários de um restaurante prepararam uma refeição especialmente para ela ao perceberem seu estado de desgaste.

Em outra etapa, voluntárias do Mosteiro de São Salvador de Vairão acolheram a brasileira após uma caminhada sob chuva intensa.

Ao longo do percurso, a aposentada também encontrou três jovens peregrinos — um italiano, um espanhol e um argentino — que acabaram cruzando seu caminho em diferentes momentos da viagem. Os reencontros proporcionaram apoio emocional e companhia durante parte da jornada.

A chegada a Santiago de Compostela

O ponto mais aguardado aconteceu na chegada à Catedral de Santiago de Compostela, onde Marlene recebeu a tradicional Compostela, certificado concedido aos peregrinos que concluem oficialmente uma das rotas reconhecidas pela Igreja.

Além do documento, ela trouxe como recordação a tradicional concha conhecida como vieira, símbolo do Caminho de Santiago, mapas, fotografias e diversos carimbos coletados durante o percurso.

Segundo a aposentada, toda a viagem teve investimento estimado entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, incluindo passagens aéreas, hospedagem, alimentação e seguro de viagem.

Mais do que uma caminhada

Muito além da distância percorrida, a história de Marlene reforça uma mensagem que inspira pessoas de todas as idades: sonhos não possuem prazo de validade.

Com planejamento, disciplina e perseverança, a brasileira demonstrou que desafios considerados impossíveis podem ser vencidos passo a passo, independentemente da idade.

Sua trajetória também evidencia o verdadeiro espírito do Caminho de Santiago, conhecido mundialmente por unir superação pessoal, convivência entre diferentes culturas e experiências que transformam a forma como muitos peregrinos enxergam a própria vida.

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