Com aumento da longevidade, autonomia financeira e mudanças de comportamento, divórcios entre pessoas com mais de 50 anos já representam até 31% dos casos no país.
O chamado “divórcio cinza” — termo usado para definir separações entre pessoas com mais de 50 anos — tem crescido de forma significativa no Brasil e já se tornou um fenômeno social observado por especialistas em família e comportamento.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 30% a 36% dos divórcios no país atualmente envolvem pessoas nessa faixa etária. Há uma década, esse percentual não chegava a 10%, evidenciando uma mudança profunda no perfil dos relacionamentos brasileiros.
Somente em 2022, foram registrados cerca de 420 mil divórcios (entre processos judiciais e extrajudiciais). Desse total, 23% envolviam homens com mais de 50 anos e 31% mulheres acima dessa idade.
Evolução do “divórcio cinza” no Brasil
- 2018: 21,05% homens | 28,68% mulheres
- 2019: 21,47% homens | 29,03% mulheres
- 2020: 21,02% homens | 28,66% mulheres
- 2021: 21,99% homens | 28,85% mulheres
- 2022: 23,27% homens | 31,12% mulheres
Entre os fatores que ajudam a explicar essa tendência está o aumento da expectativa de vida no país, que chegou a 76,4 anos em 2023. Entre as mulheres, a média é de 79,7 anos, e entre os homens, 73,1 anos.
Embora não haja estudos que comprovem uma relação direta entre longevidade e aumento das separações, especialistas apontam que o tempo maior de vida após os 50 anos faz com que muitas pessoas repensem suas relações.
Outro ponto importante é o perfil desses divórcios: em geral, não há disputa por guarda de filhos menores, o que torna o processo menos complexo do ponto de vista jurídico. Esse grupo já costuma ter patrimônio consolidado, filhos adultos e, em alguns casos, até netos.
Mudança de comportamento e autonomia feminina
Pesquisas também indicam que as mulheres têm liderado grande parte dos pedidos de separação, impulsionadas por fatores como independência financeira, autonomia emocional e a recusa em permanecer em relações consideradas insatisfatórias.
Essa transformação reflete uma mudança cultural mais ampla, em que o casamento deixa de ser visto como uma obrigação vitalícia e passa a ser uma escolha constantemente reavaliada.


