Gonçalo Franke Franco, de Porto Alegre, superou participantes de 108 países em competição realizada no Cazaquistão
Aos 15 anos, o estudante porto-alegrense Gonçalo Franke Franco colocou o Brasil entre os destaques da Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI 2026). Aluno do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, ele conquistou a medalha de bronze na competição realizada em Astana, no Cazaquistão.
A edição deste ano reuniu 466 estudantes de 108 países, tornando a conquista brasileira ainda mais expressiva. Gonçalo foi um dos quatro representantes do Brasil e também esteve entre os participantes mais jovens da competição internacional.
A olimpíada terminou no último sábado e colocou estudantes de diferentes partes do mundo diante de problemas complexos envolvendo inteligência artificial, ciência de dados e programação.
Desafios exigiram conhecimento prático de inteligência artificial
A competição internacional foi composta por seis questões que abordaram áreas como aprendizado de máquina, visão computacional, processamento de linguagem natural (PNL) e processamento multimodal.
Os participantes precisaram desenvolver soluções computacionais eficientes dentro de limites rigorosos de tempo e capacidade de processamento. Entre os desafios estava a identificação do momento exato em que uma sequência de textos deixava de apresentar características de produção humana e passava a ser gerada por inteligência artificial.
Mais do que conhecer conceitos de IA, os estudantes precisavam encontrar maneiras eficientes de transformar esse conhecimento em soluções capazes de atender às exigências estabelecidas pela competição.
Para Gonçalo, a estratégia foi fundamental para alcançar um bom resultado.
“A competição exigiu a aplicação prática de conceitos de ciência de dados desenvolvidos ao longo de décadas. A estratégia de buscar soluções eficientes e funcionais foi fundamental para garantir os pontos no placar”, avaliou o estudante.
Medalha veio após ouro em competição nacional
A participação de Gonçalo na olimpíada internacional foi resultado de uma trajetória iniciada ainda no Brasil. O estudante conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA), resultado que garantiu sua vaga entre os integrantes do Time Brasil.
A preparação para a competição nacional começou em fevereiro e envolveu estudos voltados à inteligência artificial, programação, algoritmos e ciência de dados.
Além da formação escolar, Gonçalo também desenvolveu conhecimentos de maneira autodidata e participou de hackathons. Entre as linguagens de programação estudadas pelo jovem estão Python e C, além de conteúdos relacionados a algoritmos de aprendizado de máquina.
A combinação entre preparação acadêmica e interesse pessoal pela tecnologia ajudou o estudante a chegar à disputa internacional em condições de enfrentar problemas de alta complexidade.
Escola mantém incentivo às olimpíadas do conhecimento
O resultado também está relacionado à cultura de incentivo às competições acadêmicas mantida pelo Colégio Farroupilha.
Por meio da área de Tecnologia Educacional, a instituição oferece clubes olímpicos voltados à preparação dos estudantes, estimulando o raciocínio lógico, a autonomia e o protagonismo acadêmico.
Segundo o professor responsável pelo Laboratório Maker e Robótica Educacional da escola, Roger Pereira, Gonçalo se destaca pelo envolvimento com diferentes áreas do conhecimento.
“Gonçalo é um aluno superaplicado e interessado nas aulas, clubes e olimpíadas, e já coleciona premiações em Matemática, Física, Astronomia e Tecnologia”, afirmou o professor.
Roger também destacou que a escola tem registrado outros resultados relacionados à preparação dos estudantes, incluindo premiações de equipes de robótica em competições regionais e conquistas de bolsas de estudo associadas a portfólios olímpicos.
Jovem já pensa em transformar conhecimento em negócios
Apesar da pouca idade, Gonçalo já projeta utilizar os conhecimentos adquiridos em inteligência artificial para além das competições acadêmicas.
O estudante pretende continuar aprofundando sua formação técnica e, no futuro, aplicar esse conhecimento no desenvolvimento de projetos e empresas voltados à tecnologia.
“Meu objetivo é aplicar essa base técnica na criação de empresas e em soluções de negócios baseadas em IA”, afirmou.
A conquista no Cazaquistão representa, assim, mais do que uma medalha. O resultado coloca um estudante brasileiro entre jovens talentos internacionais de uma área que vem ganhando espaço em praticamente todos os setores da sociedade.
A trajetória de Gonçalo também mostra como a combinação entre educação, preparação, curiosidade e interesse por tecnologia pode abrir caminhos para que jovens brasileiros participem de competições de alcance global.
Colégio Farroupilha tem 140 anos de história
Fundado em 1886, o Colégio Farroupilha é uma das instituições de ensino tradicionais do Rio Grande do Sul. A escola atende estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio e mantém iniciativas voltadas à inovação, tecnologia e formação acadêmica.
Ao longo de sua história, a instituição adotou projetos considerados pioneiros no ensino em Porto Alegre e, nos últimos anos, ampliou investimentos em tecnologia educacional.
Em 2024, o colégio inaugurou uma sala imersiva tridimensional de 360 graus. Atualmente, a instituição conta com cerca de 3,2 mil alunos e mais de 500 educadores.
A medalha de bronze conquistada por Gonçalo na Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial acrescenta mais um resultado de destaque ao histórico de participação dos estudantes da escola em competições de conhecimento.


