AFA foi multada em US$ 321 mil por diferentes episódios durante o Mundial; desse valor, US$ 100 mil deverão ser destinados a um plano de combate à discriminação aprovado pela entidade
A Associação do Futebol Argentino (AFA) terá de adotar medidas concretas para combater manifestações discriminatórias de torcedores após uma série de episódios registrados durante a Copa do Mundo de 2026. A determinação faz parte das sanções aplicadas pela Comissão Disciplinar da Fifa e prevê que parte da multa seja obrigatoriamente destinada a ações de prevenção.
Segundo a Fifa, a AFA recebeu multas que totalizam US$ 321 mil por diferentes infrações cometidas durante o Mundial, incluindo problemas de comportamento, questões de segurança e manifestações discriminatórias. No caso específico dos episódios envolvendo racismo, homofobia e outras formas de discriminação, a entidade determinou uma multa de US$ 100 mil.
Desse valor, os US$ 100 mil deverão ser investidos em um plano de combate à discriminação, que terá de ser implementado ou desenvolvido pela AFA e submetido à aprovação da Fifa. A federação argentina terá seis meses para cumprir essa determinação.
Cânticos discriminatórios motivaram punição
A decisão está relacionada a cânticos e insultos de caráter racista, homofóbico e discriminatório atribuídos a torcedores argentinos durante partidas contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha.
Os casos foram enquadrados no artigo 15 do Código Disciplinar da Fifa, que trata de discriminação e abusos racistas. Além da multa, a seleção argentina terá de disputar seus próximos dois jogos oficiais como mandante com 50% da capacidade das arquibancadas.
Parte dessa punição, porém, está suspensa. Um dos jogos com restrição de público e outros US$ 100 mil em multa ficam condicionados a um período de prova, conforme as regras estabelecidas pela Comissão Disciplinar.
Famílias e estudantes podem ocupar parte das arquibancadas
A Fifa também estabeleceu uma alternativa para parte da punição relacionada ao público.
Com autorização da entidade, a AFA poderá ocupar 25% da capacidade total do estádio com grupos comunitários ou de interesse específico. A medida corresponde à metade dos assentos que originalmente ficariam interditados.
Entre os grupos que poderão ser contemplados estão famílias, estudantes e organizações que atuam no combate à discriminação. A proposta terá de ser apresentada à Fifa e poderá incluir ações de conscientização, como camisetas e faixas com mensagens contra práticas discriminatórias.
A ideia é transformar parte da punição em uma ação educativa, levando ao estádio grupos e mensagens que reforcem o respeito e a inclusão.
AFA já havia realizado campanhas
A determinação da Fifa ocorre depois de iniciativas realizadas pela própria AFA para tentar conscientizar os torcedores.
Durante as Eliminatórias, a federação argentina promoveu ações voltadas ao combate à discriminação. Em setembro de 2025, por exemplo, cerca de 7 mil crianças e representantes de organizações ligadas à causa participaram de uma ação no estádio Monumental, durante a partida entre Argentina e Venezuela.
Agora, entretanto, a AFA terá de apresentar um plano formal, com recursos definidos e sujeito à avaliação da Fifa, como consequência direta das infrações registradas na Copa de 2026.
AFA pretende recorrer das decisões
Além das sanções relacionadas à torcida, a Fifa aplicou outras punições à federação argentina por ocorrências durante o Mundial. Entre elas está uma multa de US$ 10 mil pela exibição de uma bandeira com a mensagem “As Malvinas são argentinas” e outra de US$ 20 mil por conduta inadequada de torcedores.
Também houve punições individuais após os incidentes da final entre Argentina e Espanha. O meio-campista Leandro Paredes recebeu suspensão de dez partidas e multa de US$ 90 mil, enquanto Nahuel Molina foi suspenso por sete jogos e multado no mesmo valor.
A AFA informou que pretende solicitar os fundamentos das decisões que possam ser revisadas e avaliará a apresentação de recursos dentro dos mecanismos previstos pela Fifa. A entidade argentina também indicou que poderá recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).


