InícioSaúdeAdolescente fica livre das convulsões após cirurgia para epilepsia e ganha nova...

Adolescente fica livre das convulsões após cirurgia para epilepsia e ganha nova perspectiva de vida

Procedimento realizado em hospital público de Salvador controlou crises que acompanhavam o paciente desde os dois anos de idade

Após mais de uma década convivendo com crises convulsivas frequentes, um adolescente de 15 anos voltou a viver sem os episódios que marcaram sua infância e adolescência. A mudança aconteceu depois de uma cirurgia para tratamento da epilepsia realizada no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, que devolveu ao jovem a possibilidade de levar uma rotina mais tranquila e com menos dependência de medicamentos.

O paciente apresentou a primeira convulsão aos dois anos de idade. Durante mais de dez anos, passou por diferentes tratamentos com medicamentos anticonvulsivantes, mas as crises continuavam acontecendo, caracterizando um quadro de epilepsia de difícil controle.

Exames identificaram a origem das convulsões

Ao ser encaminhado ao Centro de Referência em Epilepsia Refratária do HGRS, o adolescente foi submetido a uma investigação detalhada para descobrir a causa das crises.

Entre os exames realizados estavam uma ressonância magnética de alta resolução (3 Tesla) e um PET Scan do crânio. Os resultados apontaram uma displasia cortical focal, uma malformação no desenvolvimento do córtex cerebral frequentemente associada à epilepsia resistente ao tratamento medicamentoso.

Com o diagnóstico confirmado, a equipe médica concluiu que a cirurgia seria a alternativa mais indicada para controlar as convulsões.

Cirurgia durou cerca de quatro horas

O procedimento foi realizado por uma equipe especializada em neurocirurgia e teve duração aproximada de quatro horas.

Antes mesmo da operação, enquanto permanecia internado, o adolescente chegou a apresentar mais de 20 crises convulsivas, reforçando a gravidade do quadro.

Após a cirurgia, permaneceu em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 48 horas, conforme o protocolo hospitalar. Em seguida, recebeu alta para continuar a recuperação em casa, com acompanhamento médico.

Sem novas crises e com redução dos medicamentos

Desde a cirurgia, realizada em janeiro deste ano, o adolescente não apresentou nenhuma nova convulsão.

A evolução clínica também permitiu que a equipe médica iniciasse a redução gradual da medicação utilizada no tratamento. Um dos remédios já começou a ser retirado, enquanto outros tiveram as doses diminuídas, indicando uma resposta positiva ao procedimento.

Para a família, o resultado representa uma transformação profunda na qualidade de vida, permitindo que o jovem retome atividades cotidianas com mais segurança e tranquilidade.

Cirurgia não é indicada para todos os casos

Especialistas explicam que a cirurgia para epilepsia é destinada apenas a pacientes com epilepsia refratária, condição em que as crises persistem mesmo após o uso correto de medicamentos.

Nesses casos, exames específicos são fundamentais para identificar se existe uma área bem definida do cérebro responsável pelas convulsões e se ela pode ser removida com segurança, reduzindo ou eliminando as crises.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço das pessoas com epilepsia não consegue controlar completamente a doença apenas com medicamentos, tornando a avaliação em centros especializados essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.

Para o adolescente e sua família, o sucesso da cirurgia representa mais do que o controle da doença: simboliza o início de uma nova fase, marcada pela esperança, independência e melhor qualidade de vida.

RELATED ARTICLES
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Most Popular

Recent Comments