Medicamentos ampliam as opções terapêuticas no país e utilizam o mesmo princípio ativo presente no Ozempic
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença. A medida amplia a oferta de terapias disponíveis no Brasil e pode aumentar a concorrência no mercado de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Os produtos autorizados são Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, registrados por diferentes empresas farmacêuticas. Assim como o Ozempic, eles utilizam a semaglutida como princípio ativo e foram aprovados para uso associado à alimentação equilibrada e à prática de exercícios físicos.
A indicação é voltada para pacientes adultos com diabetes tipo 2, especialmente nos casos em que a metformina não pode ser utilizada devido à intolerância ou contraindicações médicas.
Como a semaglutida atua
A semaglutida é um análogo sintético do hormônio GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina quando os níveis de glicose estão elevados. Além disso, o medicamento ajuda a retardar o esvaziamento do estômago e promove maior sensação de saciedade, fatores que também favorecem a redução do peso corporal em muitos pacientes.
Por esse motivo, embora tenham indicação principal para o controle do diabetes, esses medicamentos ganharam popularidade devido ao efeito associado à perda de peso.
Maior número de aprovações da categoria
Segundo a Anvisa, este representa o maior volume de registros aprovados para medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 desde que esse tipo de tecnologia começou a ser desenvolvido em versões sintéticas.
O crescimento dos pedidos de registro ocorreu principalmente após os avanços laboratoriais obtidos em 2022, que permitiram a produção sintética da semaglutida. Atualmente, cerca de 68% dos pedidos protocolados na Agência para medicamentos injetáveis destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes são de produtos sintéticos.
Registro não significa venda pela Anvisa
A agência reguladora reforçou que sua função é autorizar a comercialização dos medicamentos após avaliar critérios de segurança, eficácia e qualidade. A Anvisa não vende medicamentos nem participa da comercialização desses produtos.
O órgão também alertou para golpes que circulam na internet utilizando indevidamente seu nome para anunciar supostas vendas de canetas emagrecedoras. A recomendação é que consumidores desconfiem desse tipo de anúncio e façam denúncias por meio da plataforma Fala.BR.
Alerta sobre a Retatrutida
A Anvisa também aproveitou a divulgação para reforçar que a Retatrutida, medicamento em desenvolvimento pela farmacêutica Eli Lilly, ainda não possui autorização para uso em nenhum país.
Embora esteja em fase avançada de estudos clínicos, o medicamento ainda não teve seu registro solicitado no Brasil nem aprovado por qualquer agência reguladora internacional. Apesar disso, versões ilegais têm sido oferecidas em sites e redes sociais, situação que preocupa as autoridades sanitárias.
A orientação é que a população não adquira medicamentos de origem desconhecida, já que produtos comercializados clandestinamente podem representar sérios riscos à saúde.


