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Tratamento contra o Alzheimer chega ao Brasil e abre nova fase no combate à doença

Medicamento Leqembi começa a ser comercializado no país e pode retardar a progressão do Alzheimer em pacientes diagnosticados nas fases iniciais da doença.

O tratamento da doença de Alzheimer acaba de ganhar um importante reforço no Brasil. A partir deste mês, o medicamento Leqembi (lecanemabe) passa a estar disponível para uso clínico no país, representando uma nova alternativa para pacientes diagnosticados nas fases iniciais da doença.

Embora o novo medicamento não represente a cura do Alzheimer, especialistas consideram sua chegada um avanço significativo por atuar diretamente sobre um dos mecanismos relacionados ao desenvolvimento da enfermidade, ajudando a retardar a evolução do comprometimento cognitivo.

A novidade coloca o Brasil entre os países que já oferecem essa tecnologia terapêutica, utilizada em nações como Japão, Estados Unidos, China e Coreia do Sul.

Como funciona o novo tratamento

Diferentemente dos medicamentos tradicionais, que têm como principal objetivo aliviar sintomas relacionados à memória e ao comportamento, o lecanemabe atua sobre a proteína beta-amiloide, responsável pela formação de placas que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer.

O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido para identificar essas placas e favorecer sua remoção, reduzindo também a formação de novos depósitos. Com isso, busca desacelerar o processo de degeneração dos neurônios, preservando por mais tempo as funções cognitivas do paciente.

Os benefícios são observados apenas em pessoas que ainda apresentam comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, razão pela qual o diagnóstico precoce torna-se ainda mais importante.

Resultados dos estudos

Os estudos clínicos que embasaram a aprovação do medicamento mostraram resultados considerados promissores.

Em um ensaio clínico internacional com acompanhamento de 18 meses, pacientes tratados com o lecanemabe apresentaram uma redução média de aproximadamente 27% na velocidade de progressão da doença quando comparados aos que receberam placebo.

Os pesquisadores destacam, entretanto, que o medicamento não recupera funções já perdidas nem interrompe completamente o avanço do Alzheimer. Seu principal benefício consiste em retardar a evolução da doença, proporcionando mais tempo de independência e qualidade de vida aos pacientes.

Quem poderá receber a terapia

O tratamento é indicado exclusivamente para pessoas diagnosticadas com Alzheimer em estágio inicial, mediante avaliação criteriosa de neurologistas ou geriatras.

Antes do início da terapia, exames específicos são necessários para confirmar que o quadro clínico atende aos critérios estabelecidos.

O medicamento não é vendido em farmácias para aplicação domiciliar. A administração ocorre por infusão intravenosa a cada 15 dias em hospitais ou centros especializados, onde o paciente permanece sob acompanhamento médico para monitoramento de possíveis efeitos adversos.

Quanto custa

Após a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o tratamento começou oficialmente a ser comercializado no Brasil.

Para um paciente com aproximadamente 70 quilos, o custo mensal gira em torno de R$ 8.108,94, podendo ultrapassar R$ 11 mil nos estados em que incide alíquota de 18% de ICMS.

Neste momento, o medicamento ainda não integra o Sistema Único de Saúde (SUS) nem faz parte da cobertura obrigatória dos planos de saúde. As empresas responsáveis informaram que pretendem solicitar sua avaliação para futura incorporação ao SUS.

Um avanço importante diante do envelhecimento da população

O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e responde por cerca de 70% dos casos registrados. Com o envelhecimento da população brasileira, especialistas projetam aumento significativo no número de pessoas afetadas nas próximas décadas.

Nesse cenário, a chegada de terapias capazes de modificar o curso da doença representa uma mudança importante no tratamento disponível até hoje, oferecendo novas perspectivas para pacientes e familiares.

Apesar do avanço científico, médicos reforçam que o diagnóstico precoce, o acompanhamento multidisciplinar e hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas que convivem com a doença.

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