Projeto desenvolvido em família transformou tecido, bordados e afeto em um livro infantil que uniu duas gerações e inspira milhares de pessoas.
A busca pelo conhecimento não tem idade. Em Fortaleza, uma história de dedicação, afeto e superação ganhou destaque ao mostrar que os sonhos podem ser realizados em qualquer fase da vida. Aos 77 anos, a aposentada Marivan Ferraro concluiu a graduação em Design com nota máxima em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), desenvolvido em parceria com sua mãe, Maria Augusta, de 98 anos.
A apresentação do projeto emocionou professores, familiares e colegas ao reunir duas gerações em uma mesma criação. O trabalho consistiu em um livro infantil tátil, confeccionado em tecido e bordados, pensado para estimular crianças de 2 a 4 anos por meio do toque, das cores e das texturas.
Educação sem prazo de validade
Após décadas atuando como professora de Língua Portuguesa e línguas estrangeiras, Marivan decidiu voltar à sala de aula após a aposentadoria. Já formada em Letras, ela escolheu seguir um caminho completamente diferente ao ingressar no curso de Design.
A decisão representou um novo desafio acadêmico, exigindo adaptação às tecnologias, aos projetos gráficos e às metodologias da área criativa. O resultado foi uma trajetória marcada pela dedicação e pelo entusiasmo em aprender.
Ao longo dos quatro anos de graduação, a estudante demonstrou que o desejo de adquirir conhecimento não possui limites de idade e que a educação pode abrir novas possibilidades em qualquer etapa da vida.
Um livro que uniu mãe e filha
O projeto apresentado à banca nasceu dentro de casa. Maria Augusta, de 98 anos, participou ativamente da criação do livro infantil, contribuindo com desenhos, bordados e detalhes artesanais que se tornaram parte essencial da obra.
As páginas confeccionadas em tecido permitem que as crianças explorem diferentes sensações por meio do toque, estimulando a curiosidade e o desenvolvimento sensorial durante os primeiros contatos com a leitura.

Mais do que um trabalho acadêmico, o projeto transformou-se em um símbolo da convivência entre gerações, demonstrando como a experiência e a criatividade podem caminhar juntas.
Longevidade e inspiração
A história também destaca o envelhecimento ativo. Enquanto Marivan concluiu uma nova graduação aos 77 anos, Maria Augusta continua envolvida com atividades ligadas à leitura, à escrita e à produção cultural aos 98.
O exemplo das duas mostra que a idade não precisa representar um limite para o aprendizado, para a criatividade ou para a realização de novos projetos.
Especialistas em envelhecimento ativo defendem que a participação em atividades intelectuais, culturais e educacionais contribui para a qualidade de vida, a autonomia e o bem-estar na terceira idade.
Projeto deve continuar
Mesmo após a formatura, a intenção da dupla é ampliar o trabalho desenvolvido durante a graduação. A ideia é revisar a obra apresentada à banca e desenvolver novos livros voltados ao público infantil.
A iniciativa reforça a importância da convivência familiar, da troca de experiências entre gerações e do incentivo à educação ao longo da vida.
Em um país que envelhece rapidamente, histórias como a de Marivan e Maria Augusta demonstram que nunca é tarde para aprender, criar e iniciar novos capítulos.


