Novo medicamento aprovado pela Anvisa oferece alternativa sem hormônios para aliviar ondas de calor, suores noturnos e distúrbios do sono durante a menopausa.
Milhões de mulheres brasileiras convivem diariamente com os sintomas da menopausa, uma fase natural da vida que pode provocar ondas de calor intensas, suores noturnos, alterações no sono e impactos significativos na qualidade de vida. Agora, uma nova opção terapêutica aprovada no Brasil promete ampliar as alternativas de tratamento para esse público.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização do medicamento Veoza, que utiliza o princípio ativo fezolinetanto e inaugura uma nova classe terapêutica no país para o tratamento dos sintomas vasomotores da menopausa. O medicamento se destaca por não utilizar hormônios, tornando-se uma alternativa para mulheres que possuem contraindicações à terapia de reposição hormonal.
Segundo dados apresentados durante o processo regulatório, cerca de 36,2% das brasileiras entre 40 e 65 anos relatam sintomas vasomotores intensos, índice superior à média mundial. Os chamados fogachos, acompanhados por suores noturnos, podem prejudicar o sono, a concentração, o desempenho profissional e as atividades do cotidiano.
Diferentemente da terapia hormonal tradicional, o novo medicamento atua diretamente no sistema nervoso central. O fezolinetanto age no hipotálamo, região do cérebro responsável pela regulação da temperatura corporal, bloqueando a ação da neurocinina B, proteína associada às alterações térmicas provocadas pela queda dos níveis de estrogênio.
A nova abordagem representa uma mudança importante no tratamento dos sintomas da menopausa. Em vez de repor hormônios, o medicamento busca controlar os mecanismos neurológicos que desencadeiam as ondas de calor e os suores noturnos.
A aprovação da Anvisa teve como base estudos clínicos internacionais envolvendo mais de 3 mil mulheres. Os resultados indicaram redução da frequência e da intensidade dos fogachos, além de melhora na qualidade do sono e no bem-estar geral das pacientes.
Especialistas destacam que os sintomas vasomotores podem permanecer durante vários anos após o início da menopausa, afetando a saúde física, emocional e social das mulheres. As alterações do sono, em especial, estão entre as principais causas de fadiga, irritabilidade e queda da qualidade de vida nesse período.
Para mulheres que não podem utilizar reposição hormonal devido a histórico médico ou contraindicações clínicas, a chegada dessa nova terapia representa uma ampliação das possibilidades de cuidado e tratamento.
Embora o medicamento represente um avanço terapêutico, especialistas reforçam que a escolha do tratamento deve ser feita individualmente, sempre com acompanhamento médico. Cada mulher apresenta necessidades específicas e o diagnóstico adequado continua sendo fundamental para a definição da melhor estratégia terapêutica.
A aprovação do primeiro tratamento não hormonal dessa categoria no Brasil marca um novo capítulo no cuidado com a saúde feminina, oferecendo mais alternativas para mulheres que convivem diariamente com os desafios da menopausa.


