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Projeto leva acolhimento e tratamento com canabidiol a mães e crianças atípicas em Fernando de Noronha

Iniciativa une saúde, apoio familiar e acompanhamento contínuo para moradores do arquipélago

Em um dos lugares mais isolados do país, um projeto voltado para mães e crianças neuroatípicas tem transformado a rotina de diversas famílias em Fernando de Noronha. A iniciativa oferece consultas, acompanhamento e tratamento à base de canabidiol (CBD), além de suporte emocional para mulheres que assumem sozinhas o cuidado dos filhos.

A ação surgiu a partir da realidade enfrentada por muitas mães da ilha, que convivem diariamente com os desafios do Transtorno do Espectro Autista (TEA), do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e de outras condições do neurodesenvolvimento.

Uma das participantes do projeto é a professora Rayane Dixie dos Santos, mãe solo de uma criança com TEA e TDAH. Segundo ela, a rotina intensa de cuidados acabou provocando ansiedade e problemas relacionados ao sono. Após o início do tratamento com canabidiol, a família observou redução das crises de agitação e melhora no comportamento da criança.

O atendimento faz parte do Projeto Noronha, desenvolvido por entidades da área da saúde e associações de familiares da ilha. Desde o início do ano, a iniciativa já realizou dezenas de consultas e distribuiu óleos de canabidiol para pacientes acompanhados por profissionais.

Saúde além do tratamento

O projeto também chama atenção para uma realidade muitas vezes invisível: a sobrecarga emocional das mães atípicas.

Grande parte delas é responsável integral pelo cuidado dos filhos e acaba deixando a própria saúde em segundo plano. Ansiedade, depressão, insônia e esgotamento emocional aparecem entre as principais dificuldades relatadas pelas participantes.

Além do acompanhamento das crianças, o programa passou a oferecer acolhimento e suporte às mães, reconhecendo que o bem-estar familiar depende do cuidado de todos os envolvidos.

Desafios da saúde em uma ilha

A localização geográfica de Fernando de Noronha impõe dificuldades adicionais para quem necessita de atendimento especializado. Casos de maior complexidade frequentemente exigem deslocamentos até Recife, distante mais de 500 quilômetros do arquipélago.

Esse isolamento contribui para o aumento de problemas relacionados à saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Levantamentos realizados durante os mutirões indicaram elevada procura por atendimento psicológico e neurológico.

Entre os sintomas mais relatados pelos moradores estão:

  • Ansiedade;
  • Insônia;
  • Dor crônica;
  • Crises de pânico;
  • Alterações de humor;
  • Dificuldades de concentração.

Também foram identificados diversos casos de TEA, TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

O papel do canabidiol

O canabidiol é um dos compostos extraídos da cannabis e vem sendo estudado em diferentes áreas da medicina. Seu uso medicinal é autorizado no Brasil mediante prescrição médica e regulamentação específica.

Especialistas apontam que, em determinados casos, o CBD pode auxiliar no controle de sintomas como agitação, agressividade, insônia e ansiedade, especialmente em pacientes que apresentam condições neurológicas ou do neurodesenvolvimento.

O tratamento, no entanto, deve sempre ser realizado com acompanhamento médico e integrado a outras abordagens terapêuticas, como psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento multidisciplinar.

Uma rede permanente de acolhimento

Além dos atendimentos periódicos, o projeto planeja a criação de um espaço permanente de apoio às famílias da ilha. O objetivo é oferecer orientação, acompanhamento e atividades que fortaleçam a rede de cuidados para crianças e responsáveis.

A iniciativa demonstra como o acesso à saúde pode ir além dos tratamentos convencionais, incluindo acolhimento, escuta e apoio às famílias que convivem diariamente com os desafios da neurodivergência.

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