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Transtorno de pânico não tem causa única e pode estar ligado à genética, explica especialista

Psiquiatra destaca papel do cérebro, da inflamação e desmistifica ideias comuns sobre ansiedade e depressão

O transtorno de pânico ainda é cercado por dúvidas e mitos — e um dos mais comuns é acreditar que ele sempre tem uma causa emocional clara. Segundo o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, essa ideia não corresponde ao que a ciência vem demonstrando.

Recém-empossado presidente da Academia Nacional de Medicina, o especialista explica que o transtorno pode surgir de forma repentina, sem um gatilho específico, e está fortemente ligado a fatores genéticos e biológicos.

Crises intensas e inesperadas

O transtorno de pânico é caracterizado por episódios súbitos de ansiedade extrema. Durante uma crise, a pessoa pode apresentar sintomas como falta de ar, palpitação, tontura, tremores e sensação de perda de controle — muitas vezes acreditando estar diante de um infarto ou outra emergência grave.

Esses episódios costumam durar entre 20 e 30 minutos, sendo os primeiros minutos os mais intensos. Após a primeira crise, é comum o desenvolvimento de medo constante de novas ocorrências, o que pode levar à evitação de lugares e situações.

Não é um problema moderno

Apesar da sensação de que a ansiedade é um fenômeno recente, o pânico é conhecido desde a Antiguidade. O termo tem origem na mitologia grega, associado ao deus Pan, que provocava medo súbito nos viajantes.

O reconhecimento médico do transtorno, porém, é mais recente, ganhando força a partir do século XX.

Genética e inflamação cerebral

De acordo com Nardi, não existe comprovação científica de que todo transtorno de pânico tenha origem em traumas ou causas emocionais específicas. Pelo contrário, há forte evidência de predisposição genética.

Além disso, estudos apontam que processos inflamatórios no cérebro podem influenciar o funcionamento dos neurotransmissores, afetando diretamente o sistema de resposta ao estresse do corpo.

Esse desequilíbrio pode manter o organismo em estado constante de alerta, favorecendo o surgimento das crises.

Ansiedade: quando deixa de ser normal

A ansiedade, em níveis moderados, é uma resposta natural e até útil — como na preparação para um evento importante. O problema surge quando ela se torna constante, intensa e desproporcional.

Nesses casos, pode evoluir para transtornos como o pânico, afetando a qualidade de vida.

Tratamento vai além de medicamentos

O tratamento do transtorno de pânico envolve uma combinação de abordagens. Entre elas:

  • Medicamentos (como antidepressivos e ansiolíticos)
  • Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental
  • Exercícios respiratórios
  • Prática regular de atividade física

Segundo o especialista, a atividade física é uma das ferramentas mais eficazes para o cérebro, ajudando tanto na regulação emocional quanto na percepção de bem-estar.

Medicamentos ajudam, mas não curam

Outro ponto importante destacado pelo psiquiatra é que os medicamentos não eliminam a doença, mas controlam os sintomas. O tratamento adequado permite que a pessoa leve uma vida normal, mesmo convivendo com o transtorno.

Um tema que ainda precisa de mais informação

Apesar dos avanços, o transtorno de pânico ainda é cercado por estigmas e desinformação. Entender que ele envolve fatores biológicos — e não apenas emocionais — é um passo importante para reduzir preconceitos e ampliar o acesso ao tratamento.

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