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Menopausa: da reposição hormonal ao mindfulness, conheça os tratamentos que ajudam a aliviar os sintomas

Ondas de calor, alterações de humor, insônia e queda da libido estão entre os sintomas mais comuns; especialistas destacam que há diferentes estratégias para melhorar a qualidade de vida das mulheres nessa fase.

A menopausa é uma etapa natural da vida feminina, mas seus efeitos podem impactar significativamente o bem-estar físico e emocional. Marcada pelo encerramento definitivo dos ciclos menstruais após 12 meses consecutivos sem menstruação, essa fase costuma ser precedida pela chamada perimenopausa, período em que os níveis dos hormônios femininos começam a diminuir e os primeiros sintomas aparecem.

No Brasil, as mulheres entram na menopausa, em média, aos 48 anos, enquanto os sinais da perimenopausa geralmente começam a surgir a partir dos 40 anos. Entre as manifestações mais frequentes estão as ondas de calor, conhecidas como fogachos, além de alterações de humor, insônia, ansiedade, suor noturno, secura vaginal, ganho de peso, dificuldades de concentração e redução da libido.

Embora sejam frequentemente associados apenas ao desconforto do dia a dia, os efeitos da queda do estrogênio vão além. Com o passar dos anos, a deficiência hormonal pode aumentar o risco de osteoporose, alterações cardiovasculares, hipertensão arterial, pré-diabetes e mudanças na composição corporal.

Fogachos lideram as queixas

Entre todos os sintomas da menopausa, os fogachos continuam sendo a principal reclamação das mulheres nos consultórios médicos. Caracterizados por uma sensação repentina de calor intenso, eles podem ocorrer diversas vezes ao dia e comprometer o sono, a produtividade e a qualidade de vida.

Especialistas estimam que cerca de 70% das mulheres apresentem ondas de calor durante a transição menopausal. Em muitos casos, os episódios são acompanhados de suor excessivo, palpitações e desconforto emocional.

Reposição hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz

A terapia de reposição hormonal é considerada o tratamento mais eficiente para aliviar os sintomas da menopausa. O objetivo é repor o estrogênio que o organismo deixa de produzir em quantidades adequadas.

Disponível em comprimidos, adesivos, géis, sprays e cremes, a terapia pode reduzir significativamente os fogachos, além de melhorar a qualidade do sono, a função sexual e o bem-estar geral.

No entanto, a indicação deve ser individualizada. Mulheres com histórico de câncer de mama, trombose, acidente vascular cerebral (AVC), infarto ou determinados tipos de sangramento precisam de avaliação médica rigorosa antes de iniciar o tratamento.

Além da reposição sistêmica, existem terapias hormonais locais, como o estrogênio vaginal em baixas doses, utilizado para tratar secura vaginal, desconforto íntimo e dor durante as relações sexuais.

Alternativas para quem não pode ou não deseja usar hormônios

Nem todas as mulheres podem recorrer à reposição hormonal. Nesses casos, medicamentos não hormonais podem ajudar a controlar os sintomas.

Alguns antidepressivos, especialmente aqueles que atuam sobre a serotonina, têm demonstrado eficácia na redução das ondas de calor e também podem contribuir para o controle da ansiedade e das alterações de humor.

Outros medicamentos, como gabapentina, pregabalina e clonidina, também são utilizados em situações específicas, sempre sob orientação médica.

Nos últimos anos, novas terapias desenvolvidas exclusivamente para combater os fogachos vêm apresentando resultados promissores em estudos internacionais. Alguns desses medicamentos ainda aguardam aprovação para uso no Brasil.

Estilo de vida faz diferença

Além dos tratamentos médicos, mudanças de hábitos podem contribuir para uma menopausa mais saudável.

A redução do consumo de álcool e cigarro, o controle do peso corporal e a prática regular de exercícios físicos estão entre as medidas mais recomendadas pelos especialistas.

A musculação e outras atividades de fortalecimento muscular ajudam a preservar a massa magra, reduzir a perda óssea e diminuir o risco de osteoporose, uma das principais preocupações dessa fase.

Uma alimentação equilibrada, rica em cálcio, proteínas e vitaminas, também favorece a saúde geral e auxilia na prevenção de doenças associadas ao envelhecimento.

Mindfulness e terapia ganham espaço

Nos últimos anos, abordagens complementares têm conquistado espaço no tratamento dos sintomas da menopausa.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) apresenta bons resultados no controle da ansiedade, do estresse e das alterações emocionais. Já práticas de mindfulness — técnica baseada na atenção plena ao momento presente — vêm demonstrando potencial para reduzir a intensidade das ondas de calor e melhorar o bem-estar psicológico.

Embora não substituam os tratamentos médicos quando necessários, essas estratégias podem funcionar como importantes aliadas para aumentar a qualidade de vida durante a transição menopausal.

Informação e acompanhamento são fundamentais

Especialistas reforçam que a menopausa não deve ser encarada como uma doença, mas como uma fase natural da vida que merece atenção e acompanhamento adequado.

O acesso à informação, o diagnóstico correto e o tratamento individualizado permitem que cada mulher encontre a estratégia mais adequada para atravessar esse período com mais conforto, saúde e qualidade de vida.

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