Primeiros lotes do dolutegravir já foram fabricados no Brasil e aguardam apenas o registro da Anvisa para começar a ser distribuídos na rede pública.
O Brasil deu um passo importante rumo ao fortalecimento da produção nacional de medicamentos estratégicos para a saúde pública. Após cinco anos de desenvolvimento e transferência de tecnologia, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a fabricação dos três primeiros lotes nacionais do dolutegravir, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV no país.
A produção foi realizada pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), que agora domina todas as etapas industriais do medicamento. Antes de chegar aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, o produto ainda precisa obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Atualmente, cerca de 770 mil pessoas recebem o dolutegravir gratuitamente por meio do SUS, tornando-o um dos medicamentos mais importantes da política brasileira de enfrentamento ao HIV.
Cinco anos de transferência de tecnologia
O processo de nacionalização do medicamento teve início em 2020, por meio de uma parceria entre a Fiocruz e a farmacêutica responsável pela tecnologia do medicamento. Durante esse período, Farmanguinhos passou por adaptações estruturais, aquisição de novos equipamentos e treinamento de equipes para assumir todas as etapas de fabricação, desde o controle de qualidade até a produção final.
A conclusão dos três primeiros lotes representa a validação desse processo e demonstra que o Brasil está preparado para produzir o medicamento de forma totalmente nacional.
Enquanto o registro sanitário não é concedido, o abastecimento do SUS continuará sendo realizado pelo modelo atual de fornecimento.
Benefícios para pacientes e para o sistema de saúde
O dolutegravir é um antirretroviral que atua impedindo a multiplicação do HIV no organismo. Quando utilizado corretamente, o medicamento ajuda a reduzir a carga viral, fortalece o sistema imunológico e melhora significativamente a qualidade de vida das pessoas que vivem com o vírus.
A produção nacional também traz vantagens estratégicas para o país. Além de reduzir a dependência de fornecedores internacionais, ela contribui para diminuir riscos relacionados a atrasos em importações, oscilações do mercado externo e problemas logísticos que possam comprometer o abastecimento da rede pública.
Capacidade para novos medicamentos
A experiência adquirida durante a transferência de tecnologia amplia a capacidade da Fiocruz para produzir outros medicamentos considerados estratégicos para o SUS.
Entre os projetos em desenvolvimento está a fabricação da combinação entre dolutegravir e lamivudina, dois antirretrovirais reunidos em um único comprimido, esquema terapêutico que já integra o tratamento de muitos pacientes atendidos pela rede pública.
Especialistas destacam que fortalecer a produção nacional de medicamentos representa um avanço para a segurança sanitária do país, garantindo maior autonomia na oferta de tratamentos essenciais e ampliando a capacidade de resposta do sistema público de saúde diante de futuras demandas.


