Especialistas de diversos países discutem os desafios do jornalismo, da desinformação e da sustentabilidade financeira dos veículos de comunicação
O futuro da comunicação digital está no centro das atenções durante a sétima edição do Festival 3i, que começou nesta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro. O evento reúne jornalistas, pesquisadores, empreendedores de mídia e especialistas em tecnologia de diferentes países para discutir os impactos da inteligência artificial, os desafios da desinformação e os caminhos para fortalecer o jornalismo em um cenário cada vez mais digital.
Promovido pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor), o festival também celebra os cinco anos da entidade e acontece em um momento estratégico para o setor. Com as eleições brasileiras de 2026 se aproximando, profissionais da comunicação buscam respostas para questões que envolvem credibilidade, novas tecnologias e a relação entre veículos de imprensa e audiência.
Entre os participantes estão referências internacionais que atuam na transformação do jornalismo contemporâneo. Os debates abordam desde o uso responsável da inteligência artificial nas redações até estratégias para ampliar o impacto social das reportagens e garantir a sustentabilidade econômica dos meios de comunicação.
Inteligência artificial e democracia
A rápida evolução da inteligência artificial generativa tem provocado mudanças profundas na forma como as informações são produzidas, distribuídas e consumidas. Ferramentas capazes de criar textos, imagens e vídeos em poucos segundos trazem oportunidades para otimizar processos jornalísticos, mas também aumentam preocupações relacionadas à disseminação de conteúdos falsos.
Especialistas presentes no festival alertam que a velocidade com que a desinformação circula nas redes sociais exige novas estratégias de verificação e educação midiática. O desafio se torna ainda maior em períodos eleitorais, quando informações enganosas podem influenciar decisões e comprometer o debate público.
Jornalismo que transforma realidades
Outro tema de destaque é o chamado jornalismo de impacto, que busca medir os resultados concretos produzidos por reportagens na sociedade.
Experiências apresentadas por veículos da África e da América Latina mostram que o papel do jornalismo vai além de informar. Em muitos casos, denúncias geram investigações, mudanças institucionais e até mobilizações comunitárias.
Projetos que aproximam redações e leitores também ganham espaço. Iniciativas que promovem rodas de conversa, fóruns públicos e participação da audiência têm demonstrado que a construção de confiança pode ser tão importante quanto o alcance de uma publicação.
Novos hábitos de consumo desafiam veículos
A transformação digital continua alterando a forma como as pessoas se informam. Hoje, influenciadores digitais e criadores de conteúdo disputam atenção com veículos tradicionais, ampliando a concorrência por audiência.
Dados apresentados durante o evento indicam que uma parcela significativa dos brasileiros utiliza redes sociais e influenciadores como fonte principal de informação. Esse cenário exige que empresas de comunicação repensem formatos, linguagens e estratégias de distribuição.
Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de desenvolver modelos de negócio sustentáveis. A queda no número de assinantes de conteúdos pagos nos últimos anos reforça a preocupação com o financiamento do jornalismo profissional.
Desafio permanente
Os debates do Festival 3i evidenciam que o jornalismo atravessa um período de transformação acelerada. Entre avanços tecnológicos, mudanças de comportamento do público e desafios econômicos, especialistas concordam que a credibilidade, a transparência e a capacidade de gerar impacto social continuarão sendo diferenciais fundamentais para a sobrevivência da imprensa.
Mais do que discutir ferramentas e plataformas, o encontro busca refletir sobre como o jornalismo poderá continuar exercendo seu papel de informar, fiscalizar e fortalecer a democracia em um ambiente digital cada vez mais complexo.


