Medicamento experimental à base de minoxidil apresentou aumento na densidade capilar após seis meses de tratamento, mas ainda depende de avaliação regulatória para chegar ao mercado.
A busca por tratamentos mais eficazes contra a calvície masculina ganhou uma nova perspectiva com os resultados de um estudo clínico realizado nos Estados Unidos. Um medicamento experimental em comprimidos, desenvolvido para estimular o crescimento dos cabelos, apresentou resultados promissores em homens com perda capilar hereditária.
O produto, identificado como VDPHL01, é desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Veradermics e utiliza uma formulação oral de liberação prolongada do minoxidil, substância já conhecida no tratamento da queda de cabelo.
Segundo os resultados divulgados pela empresa, o ensaio clínico de fase 3 envolveu 536 homens com alopecia androgenética leve a moderada, condição caracterizada pela redução progressiva dos fios, geralmente associada a fatores genéticos e hormonais.
Após seis meses de acompanhamento, os participantes que receberam a dose mais elevada do medicamento apresentaram um aumento médio de 36,4 fios por centímetro quadrado no couro cabeludo. Entre os voluntários que receberam placebo, substância sem o princípio ativo, o crescimento médio foi de 6,6 fios por centímetro quadrado.
A diferença indica potencial de eficácia do tratamento, embora o medicamento ainda esteja em fase de investigação e não tenha aprovação específica para o tratamento da calvície.
Resultados também foram percebidos pelos participantes
Além de medir a quantidade de novos fios, os pesquisadores avaliaram a percepção dos próprios voluntários sobre a cobertura capilar durante o tratamento.
O estudo foi realizado de forma randomizada e duplo-cega, metodologia em que os participantes são distribuídos aleatoriamente entre os grupos e nem os voluntários nem os pesquisadores responsáveis pela avaliação sabem quem recebe o medicamento ativo ou o placebo.
Os homens foram divididos em três grupos: um recebeu 8,5 miligramas do VDPHL01 uma vez ao dia, outro utilizou a mesma dose duas vezes ao dia e o terceiro recebeu placebo.
Ao final de seis meses, 78,8% dos participantes que utilizaram uma dose diária relataram alguma melhora na cobertura dos cabelos. Entre aqueles que receberam duas doses, o percentual chegou a 85%. No grupo placebo, o índice foi de 35,3%.
Quando a avaliação considerou especificamente respostas de melhora ou melhora significativa, os percentuais foram de 55,7% e 68,7% nos grupos tratados, respectivamente, contra 15% entre os participantes que receberam placebo.
De acordo com a Veradermics, diferenças estatisticamente significativas entre o medicamento e o placebo já haviam sido observadas a partir do segundo mês de tratamento.
Como funciona a nova formulação de minoxidil?
O minoxidil não é uma substância nova na medicina. Originalmente desenvolvido para o tratamento da pressão arterial elevada, o composto chamou a atenção dos pesquisadores quando alguns pacientes apresentaram crescimento de pelos durante sua utilização.
Essa observação contribuiu para o desenvolvimento de formulações tópicas, aplicadas diretamente no couro cabeludo, que passaram a ser utilizadas no tratamento de determinados tipos de queda capilar.
A inovação proposta pela Veradermics está na maneira como o minoxidil é liberado no organismo.
Diferentemente das formulações orais convencionais, o VDPHL01 foi desenvolvido para liberar o princípio ativo gradualmente, buscando manter uma exposição mais controlada ao medicamento ao longo do tempo.
A empresa pretende, com essa tecnologia, estimular o crescimento capilar e melhorar o perfil de tolerabilidade do tratamento.
Entretanto, a possibilidade de redução dos riscos associados ao minoxidil oral ainda precisa ser confirmada por avaliações clínicas e regulatórias.
Nos Estados Unidos, o minoxidil oral possui aprovação para determinadas situações de hipertensão arterial. Sua utilização contra a calvície ocorre fora da indicação originalmente aprovada, prática conhecida como uso off-label.
Efeitos colaterais ainda exigem atenção
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores identificaram efeitos adversos entre os participantes do estudo.
Os principais foram o edema periférico, caracterizado pelo inchaço decorrente do acúmulo de líquidos nos tecidos, e a hipertricose, condição que provoca crescimento excessivo de pelos em diferentes regiões do corpo.
Entre os homens que receberam duas doses diárias, 4,5% apresentaram edema periférico e 9% desenvolveram hipertricose.
No grupo tratado com uma dose diária, os percentuais foram de 2,8% e 2,2%, respectivamente.
Entre os participantes que receberam placebo, houve registro de edema periférico em 0,6% dos voluntários, sem ocorrência de hipertricose.
Segundo a farmacêutica, não foram identificados eventos adversos graves relacionados ao tratamento nem eventos cardíacos de interesse especial durante os seis meses analisados.
Isso, porém, não significa que o medicamento esteja livre de riscos. O minoxidil oral pode provocar alterações cardiovasculares e retenção de líquidos, motivo pelo qual seu uso exige avaliação médica.
Os dados divulgados até o momento também não substituem a análise independente dos resultados completos, especialmente em relação à segurança durante períodos prolongados de utilização.
Estudos também investigam o tratamento em mulheres
A Veradermics pretende ampliar as informações sobre a segurança do VDPHL01 com novos dados de acompanhamento de homens tratados por até 12 meses.
A empresa também desenvolve uma pesquisa clínica com 556 mulheres que apresentam perda capilar de padrão feminino, utilizando doses de 4,5 miligramas do medicamento.
A previsão divulgada é que os resultados desse estudo sejam apresentados no primeiro semestre de 2027.
A investigação em mulheres é importante porque a alopecia androgenética também afeta o público feminino, embora suas manifestações e estratégias terapêuticas possam apresentar diferenças em relação à calvície masculina.
Os resultados obtidos em homens não podem ser automaticamente estendidos às mulheres, tornando necessária a realização de estudos específicos.
Quando o medicamento poderá chegar ao mercado?
Apesar do avanço clínico, ainda não existe uma data confirmada para a comercialização do VDPHL01 como tratamento aprovado contra a calvície.
Para chegar ao mercado norte-americano com essa indicação, o medicamento precisará passar pela avaliação da Food and Drug Administration (FDA), agência responsável pela regulamentação de medicamentos nos Estados Unidos.
O órgão deverá analisar os dados de eficácia, segurança e qualidade apresentados pela fabricante antes de decidir sobre uma eventual autorização.
Caso seja aprovado, o VDPHL01 poderá representar uma alternativa oral não hormonal para pacientes com alopecia androgenética.
Especialistas ressaltam, entretanto, que a escolha do tratamento contra a queda de cabelo deve considerar as causas do problema, as condições de saúde do paciente e os possíveis efeitos adversos de cada medicamento.
A perda capilar pode estar associada não apenas a fatores hereditários, mas também a alterações hormonais, deficiências nutricionais, doenças e outras condições que exigem investigação individualizada.
O avanço da pesquisa representa uma perspectiva importante para o tratamento da calvície, mas não significa que uma solução definitiva tenha sido descoberta. A confirmação dos benefícios e da segurança em longo prazo será fundamental para determinar o papel do novo comprimido na prática médica.


