Depois de começar a estudar aos 95, Dona Altina de Souza segue frequentando a sala de aula e já consegue ler e escrever as primeiras palavras
Aos 96 anos, Dona Altina de Souza continua realizando um sonho que guardou por grande parte da vida: aprender a ler e escrever para, um dia, conseguir ler a Bíblia por conta própria.
Moradora da Serra, no Espírito Santo, a aposentada voltou para a sala de aula aos 95 anos, quando se matriculou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel Vieira Lessa, em José de Anchieta II.
A escola fica próxima à casa dela, o que facilitou a nova rotina. Desde então, Dona Altina passou a frequentar as aulas diariamente e encontrou na escola uma oportunidade de aprender algo que sempre desejou.
Um sonho que começou a ganhar forma aos 95 anos
Quando a história de Altina foi apresentada pela Prefeitura da Serra, em fevereiro de 2025, ela estava iniciando o primeiro segmento do ensino fundamental.
Na época, a escola começava a oferecer turmas de EJA, e a proximidade com sua residência ajudou a aposentada a tomar a decisão de voltar a estudar.
Mas havia uma motivação ainda maior: Dona Altina queria aprender a ler e escrever para conseguir estudar a Bíblia sozinha.
O desejo, que durante décadas permaneceu apenas como um sonho, ganhou uma nova possibilidade dentro da sala de aula.
Um ano depois, aos 96 anos, ela continua estudando.
Orgulho de vestir o uniforme
Um registro publicado pelo neto, Vitor Martins, no Instagram, mostra um pouco da rotina da aposentada.
No vídeo, Dona Altina aparece orgulhosa com o uniforme escolar, justamente no momento em que saía de casa para ir às aulas.
A imagem simples acabou emocionando muitas pessoas. Nos comentários, internautas parabenizaram a idosa pela determinação e pela coragem de começar uma nova etapa da vida.
Mais do que aprender as primeiras palavras, Dona Altina mostra que um sonho pode permanecer vivo mesmo depois de muitos anos.
EJA reúne milhões de estudantes no Brasil
A história da aposentada também chama atenção para a importância da Educação de Jovens e Adultos, modalidade destinada a pessoas que não tiveram acesso à educação básica ou não conseguiram concluir os estudos na idade considerada regular.
Segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a EJA registrou cerca de 2,2 milhões de matrículas no país. Aproximadamente 2,08 milhões estavam na rede pública.
A realidade do analfabetismo ainda representa um grande desafio. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) apontaram que, em 2024, 9,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever, o equivalente a 5,3% dessa população.
Entre as pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo era ainda maior, chegando a 14,9%.
Nesse cenário, a EJA representa uma oportunidade para que jovens, adultos e idosos retomem uma trajetória escolar que, por diferentes motivos, ficou pelo caminho.
Aos 96 anos, ela continua aprendendo
Dona Altina poderia ter deixado esse sonho para trás. Em vez disso, decidiu começar.
Aos 95 anos, sentou-se novamente em uma carteira escolar. Aos 96, continua frequentando as aulas e já consegue ler e escrever as primeiras palavras.
O objetivo ainda está em construção, mas cada nova palavra aprendida aproxima a aposentada daquilo que desejou durante toda a vida: abrir a Bíblia e conseguir ler suas páginas com os próprios olhos.
A história de Dona Altina deixa uma mensagem simples e poderosa: alguns sonhos podem esperar muitos anos, mas nunca precisam ser abandonados.


