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Celular só aos 15: irmãos gêmeos chegam ao MIT e Cornell, faculdades de elite nos EUA

História de disciplina, leitura e apoio familiar mostra que consistência pode superar a ideia de “talento nato”

Do interior de São Paulo para duas das universidades mais prestigiadas do mundo: o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a Cornell University.

Essa é a trajetória dos irmãos gêmeos Camila e Mateus Shida, de 18 anos, que cresceram em Bastos, uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, e conquistaram vagas em instituições reconhecidas globalmente pela excelência acadêmica.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, eles próprios afastam a ideia de genialidade como fator principal. Para os dois, o diferencial foi outro: disciplina, constância e um ambiente familiar estruturado para o aprendizado.

O hábito que começou no berço

Desde muito pequenos, os irmãos foram incentivados à leitura. Os pais criaram uma rotina em que livros faziam parte do cotidiano, com histórias sendo contadas diariamente.

Camila e Mateus participaram de diversas olimpíadas de conhecimento ao longo da formação, acumulando experiência e alto desempenho acadêmico.

O resultado foi o desenvolvimento precoce do gosto pela leitura, algo que acompanhou os dois ao longo da vida escolar e se tornou uma das bases do desempenho acadêmico.

Durante a pandemia, por exemplo, Mateus chegou a ler mais de 50 livros em um único ano.

Menos telas, mais foco

Outro diferencial importante foi a ausência de contato precoce com tecnologia. Camila e Mateus só tiveram acesso ao celular aos 15 anos.

Antes disso, o tempo era preenchido com leitura, jogos de tabuleiro e atividades que estimulavam raciocínio, estratégia e paciência — habilidades que mais tarde se refletiram no desempenho acadêmico.

Aprendizado em meio ao desafio

A trajetória dos irmãos também foi marcada por um momento delicado. Aos 2 anos, Camila foi diagnosticada com leucemia e passou meses internada.

Durante esse período, a mãe decidiu transformar a rotina hospitalar em um espaço de desenvolvimento. Foi ali que começou o processo de alfabetização.

Irmãos contam que mantêm uma competição saudável.

Aos 2 anos, os irmãos já liam em português. Aos 3, também em inglês — resultado de um método estruturado e acompanhamento próximo da família.

Disciplina e treino constante

Ao longo da infância e adolescência, os dois se dedicaram intensamente a atividades que exigiam alto nível de concentração e prática contínua.

Entre os destaques estão:

  • Treinamento com soroban (ábaco japonês)
  • Participação em olimpíadas científicas
  • Estudos complementares fora da escola
  • Contato com diferentes métodos de ensino

A rotina exigente ajudou a desenvolver agilidade mental, foco e resiliência.

Rivalidade que impulsiona

A relação entre os irmãos gêmeos sempre foi marcada por parceria, mas também por uma rivalidade saudável.

O desempenho de um servia como estímulo para o outro, criando um ambiente de crescimento constante e elevando o nível de exigência pessoal.

Cultura e propósito

Crescer em Bastos, cidade com forte influência da cultura japonesa, também teve impacto direto na formação dos jovens.

Valores como disciplina, respeito e o senso de retribuição à sociedade fizeram parte da educação dos irmãos.

Ainda adolescentes, eles criaram um projeto voluntário para ensinar matemática em escolas públicas — mostrando que o conhecimento também pode ser ferramenta de transformação social.

Equilíbrio além dos estudos

Mesmo com uma rotina intensa, o esporte sempre esteve presente. Atividades como dança, baseball e beach tennis ajudaram a desenvolver equilíbrio emocional e bem-estar.

Esse conjunto — mente e corpo — foi essencial para enfrentar os desafios de processos seletivos altamente competitivos.

Um caminho possível

A história de Camila e Mateus reforça que grandes conquistas não dependem apenas de talento excepcional ou de nascer em grandes centros.

Ela evidencia a força de fatores como:

  • Incentivo familiar
  • Disciplina ao longo do tempo
  • Ambiente de aprendizado
  • Propósito claro

Mais do que um caso isolado, é um exemplo de que consistência pode transformar trajetórias.

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