Cinoterapia utiliza a interação com cães para estimular habilidades emocionais, sociais e cognitivas de pacientes com Transtorno do Espectro Autista
A presença de um cão pode transformar completamente o ambiente de uma terapia. Para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a interação com esses animais cria um espaço mais leve, acolhedor e estimulante para o desenvolvimento de novas habilidades.
A técnica conhecida como Cinoterapia — também chamada de Terapia Assistida por Cães — utiliza animais treinados como mediadores em atividades terapêuticas. O objetivo é estimular aspectos emocionais, cognitivos e sociais dos pacientes por meio de brincadeiras, exercícios e interações supervisionadas por profissionais da saúde.
Em um centro especializado de atendimento a pessoas com autismo no Tocantins, essa abordagem tem despertado entusiasmo entre famílias e terapeutas. Durante as sessões, os cães participam de atividades planejadas que incentivam as crianças a se comunicar, cumprir pequenas tarefas e interagir com o ambiente de forma mais segura e confiante.
Foi o que aconteceu com o pequeno Samuel Bryan, que participou pela primeira vez da atividade com a cadela Zoe, da raça Golden Retriever. Segundo a mãe, o início foi marcado por timidez, algo comum em muitos pacientes. No entanto, ao observar outras crianças interagindo com o animal, Samuel começou a sorrir e a participar da brincadeira.
Para os profissionais envolvidos, esse tipo de reação é um dos principais indicadores do potencial da terapia. A presença do cão ajuda a quebrar barreiras de comunicação e cria um ambiente mais espontâneo, no qual as crianças podem desenvolver habilidades importantes como atenção, coordenação motora e socialização.
Os cães utilizados nas sessões passam por treinamento específico para lidar com diferentes estímulos e situações. Além das terapias, alguns desses animais também participam de atividades educativas e visitas a escolas, hospitais e instituições sociais, ampliando o alcance das ações de bem-estar e inclusão.
Especialistas destacam que terapias assistidas por animais vêm ganhando espaço em diferentes países e mostram resultados positivos quando utilizadas como complemento ao acompanhamento clínico tradicional. Para muitas famílias, momentos de interação com os cães representam não apenas avanços terapêuticos, mas também experiências de alegria, confiança e conexão.
Ao unir cuidado, ciência e sensibilidade, iniciativas como essa reforçam o potencial das terapias integrativas no apoio ao desenvolvimento de crianças com autismo — mostrando que, às vezes, um simples gesto de carinho de um animal pode abrir caminhos importantes para o aprendizado e a comunicação.


