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Bolos “feios” viram sucesso nas redes e fazem agenda de confeiteira disparar

Com desenhos propositalmente tortos e personagens caricatos, Mariana Neves transformou uma brincadeira em negócio e viu a procura pelas encomendas crescer 90%

O que começou como uma experiência despretensiosa na cozinha acabou se transformando em um negócio impulsionado pelas redes sociais. A profissional de marketing Mariana Neves, de 31 anos, de São Paulo, encontrou nos chamados “bolos feios” uma maneira bem-humorada de conquistar clientes e diferenciar seus produtos no mercado.

A empreendedora compartilha suas criações no Instagram, no perfil @bolosfeiosdamari , onde os bolos de aparência propositalmente imperfeita conquistam o público pelo humor e pela criatividade.

A proposta é justamente fugir do acabamento perfeito. Em vez de coberturas impecáveis e desenhos reproduzidos com precisão, os bolos apostam em traços tortos, proporções exageradas e personagens caricatos. A imperfeição, que normalmente poderia ser considerada um problema na confeitaria, passou a ser o principal diferencial da marca.

Bolos que não querem ser perfeitos — e é justamente aí que está a graça. As criações de Mariana Neves transformaram desenhos tortos, caricaturas e muito bom humor em uma identidade que conquistou as redes e os clientes. O resultado? Uma ideia diferente que virou negócio e fez a agenda de encomendas disparar.

Segundo Mariana, a ideia nasceu justamente porque ela não se considerava uma confeiteira especializada em produzir bolos tradicionais com acabamento elaborado. A solução foi transformar essa característica em parte da identidade do negócio.

De renda extra a uma agenda cheia

Mariana começou a testar receitas durante a pandemia, preparando bolos para familiares e amigos. Em 2025, com o incentivo de pessoas próximas, decidiu transformar a atividade em uma fonte de renda extra e criou a marca Bolos Feios da Mari.

A repercussão nas redes sociais, porém, mudou rapidamente a dimensão do projeto. Antes da viralização, ela produzia aproximadamente quatro ou cinco bolos por semana. Depois, a procura chegou a cerca de dez encomendas semanais, um crescimento de aproximadamente 90%.

A agenda ficou preenchida para setembro e também para os primeiros dias de outubro. Para acompanhar a demanda, Mariana precisou contratar duas pessoas, que passaram a ajudá-la na logística e no trabalho com as redes sociais.

Mesmo com o aumento da estrutura, a produção continua dependendo diretamente da capacidade da própria confeiteira. Por isso, ela já avalia a possibilidade de limitar a quantidade de pedidos caso o volume se torne difícil de administrar.

O humor virou ingrediente principal

Mais do que simplesmente parecerem diferentes, os bolos são pensados para provocar identificação e diversão. Muitos pedidos reproduzem caricaturas dos próprios clientes, além de personagens conhecidos e referências pessoais.

Entre as encomendas que marcaram Mariana está uma versão do Relâmpago McQueen, personagem da Carros. Segundo ela, a produção acabou rendendo muitas risadas durante o processo.

Outro modelo que ganhou destaque foi o inspirado em Ana Mary B, drag influencer e podcaster. As caricaturas personalizadas estão entre os pedidos que mais chamam a atenção do público.

O resultado é um produto que funciona não apenas como sobremesa, mas também como presente e elemento de diversão em aniversários e outras comemorações.

Quem procura os bolos?

A maior parte dos clientes é formada por jovens, incluindo integrantes da comunidade LGBTQIAPN+. Pessoas de outras faixas etárias também aparecem entre os compradores, principalmente quando procuram uma opção diferente para presentear filhos ou familiares.

O preço atualmente é de R$ 150 por quilo, embora Mariana avalie modificar o modelo de cobrança para considerar também a complexidade de cada desenho e o tempo necessário para executar o trabalho artístico.

Essa mudança ainda não foi colocada em prática.

Quando a imperfeição vira identidade

A história dos “bolos feios” mostra uma característica cada vez mais presente no empreendedorismo digital: produtos que conseguem despertar curiosidade e gerar identificação podem encontrar espaço justamente por serem diferentes do padrão.

Nas redes sociais, a aparência inusitada das criações ajuda a transformar cada encomenda em conteúdo. Uma pessoa compartilha o bolo recebido, outras se divertem com o resultado e, a partir daí, novos consumidores passam a conhecer o trabalho.

Foi esse ciclo que ajudou a ampliar a visibilidade da marca de Mariana. Uma publicação reunindo imagens dos bolos alcançou centenas de milhares de visualizações e dezenas de milhares de curtidas, levando o trabalho para além do círculo inicial de amigos e clientes.

A força de uma ideia simples

O caso também mostra como pequenos negócios podem usar a criatividade para construir uma identidade própria sem necessariamente competir com empresas maiores pela produção mais sofisticada.

No caso de Mariana, a proposta não é esconder os desenhos imperfeitos, mas assumir justamente aquilo que torna cada bolo diferente. O “erro” deixa de ser defeito e passa a fazer parte da experiência oferecida ao cliente.

Enquanto concilia a confeitaria com a profissão na área de marketing, a empreendedora ainda avalia os próximos passos. Entre os projetos que gostaria de realizar está a criação de um bolo para chá de revelação.

Por enquanto, a receita do negócio parece continuar simples: transformar criatividade, humor e personalidade em produtos que as pessoas tenham vontade de fotografar, compartilhar e, principalmente, encomendar.

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