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Canetas emagrecedoras são alvo de processos nos EUA por possível risco de perda de visão

Pacientes norte-americanos alegam que fabricantes não alertaram adequadamente sobre uma possível complicação ocular. FDA investiga a associação, mas as evidências científicas ainda são inconclusivas.

Dezenas de pacientes nos Estados Unidos acionaram a Justiça contra as farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly, fabricantes de medicamentos da classe GLP-1 utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. As ações envolvem produtos como Ozempic, Wegovy e Zepbound e relatam casos de perda repentina da visão após o uso dos tratamentos.

Os pacientes afirmam ter desenvolvido uma condição ocular conhecida como neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION). A doença ocorre quando o fluxo sanguíneo para o nervo óptico é comprometido e pode provocar perda súbita da visão, que, em determinadas situações, pode ser permanente.

As ações judiciais foram apresentadas nos Estados Unidos e questionam se as fabricantes forneceram informações suficientes sobre os possíveis riscos dos medicamentos. Entretanto, os processos ainda estão em andamento e não representam uma conclusão definitiva das autoridades de saúde sobre a segurança dos tratamentos.

O que se sabe sobre a possível complicação ocular?

A NAION é uma doença que afeta o nervo óptico e pode causar comprometimento visual significativo. Entre os fatores associados à condição estão diabetes, hipertensão e determinadas características anatômicas do nervo óptico.

Algumas pesquisas científicas identificaram uma possível associação entre o uso de semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e uma maior ocorrência da doença. Outros estudos, porém, não encontraram um aumento estatisticamente significativo do risco.

Em 2025, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concluiu que a NAION poderia ser considerada um efeito colateral muito raro da semaglutida. A estimativa apresentada pelo órgão indicou a possibilidade de ocorrência de até um caso para cada 10 mil usuários, levando à recomendação de atualização das informações dos medicamentos.

Apesar desses resultados, as evidências disponíveis ainda não permitem estabelecer uma relação definitiva de causa e efeito. Estudos observacionais identificam possíveis associações, mas não demonstram necessariamente que o medicamento tenha provocado a complicação.

Outro aspecto considerado pelos pesquisadores é que o próprio diabetes e a obesidade podem estar relacionados a alterações vasculares e oculares, o que torna necessária uma avaliação cuidadosa dos diferentes fatores envolvidos.

Fabricantes contestam as acusações

Nas ações judiciais, os pacientes alegam que as farmacêuticas deveriam ter informado de maneira mais clara os profissionais de saúde e os consumidores sobre o possível risco ocular.

As bulas norte-americanas dos medicamentos não incluem atualmente uma advertência específica sobre a NAION, enquanto autoridades regulatórias de regiões como União Europeia, Reino Unido, Japão e Austrália adotaram medidas relacionadas à inclusão de informações sobre a condição.

A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) também investiga uma possível associação entre os tratamentos e a doença ocular.

A Novo Nordisk e a Eli Lilly contestam as acusações e afirmam que seus medicamentos apresentam um perfil de segurança adequado quando utilizados conforme as indicações aprovadas. As empresas também mencionam pesquisas que não identificaram aumento do risco e defendem que os benefícios dos tratamentos continuam relevantes para os pacientes.

As farmacêuticas argumentam ainda que relatos individuais e processos judiciais não comprovam, isoladamente, que os medicamentos tenham provocado os problemas de visão.

Efeitos adversos e acompanhamento médico

No Brasil, os efeitos adversos descritos nas bulas variam conforme o medicamento. Entre as reações mais frequentemente relatadas estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal.

A queda de cabelo também aparece nas informações de alguns produtos, como o Wegovy, mas não deve ser generalizada para todos os medicamentos da classe.

Possíveis impactos sobre a saúde mental, incluindo sintomas depressivos, também vêm sendo investigados. Até o momento, porém, não há consenso que estabeleça uma relação direta entre esses tratamentos e tais efeitos.

Os medicamentos GLP-1 ganharam espaço nos últimos anos por sua utilização no controle do diabetes tipo 2 e no tratamento da obesidade. Seus efeitos sobre o apetite e a saciedade contribuem para a perda de peso, mas a indicação e o acompanhamento devem considerar as características de cada paciente.

O que acontece agora?

Os processos nos Estados Unidos seguem em andamento. A Justiça deverá avaliar as alegações apresentadas pelos pacientes, incluindo se as fabricantes tinham conhecimento do possível risco, se deveriam ter fornecido advertências adicionais e se existe evidência suficiente de que os medicamentos contribuíram para os problemas relatados.

Enquanto isso, a investigação científica e regulatória continua. A possível associação entre os tratamentos e a NAION permanece sob análise, e os resultados disponíveis precisam ser interpretados considerando tanto os riscos potenciais quanto os benefícios clínicos dos medicamentos.

Atenção: pessoas que utilizam medicamentos dessa classe e apresentam alterações repentinas na visão devem procurar atendimento médico de urgência. A avaliação profissional é essencial para investigar a causa do sintoma e orientar a conduta adequada. Não se deve interromper ou modificar o tratamento por conta própria.

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