Período que ocorre depois da ovulação pode trazer alterações hormonais capazes de influenciar a pele, a retenção de líquidos, o sono, o humor e a forma como algumas mulheres percebem o próprio corpo
A sensação de não estar se sentindo tão bem consigo mesma em determinados dias do mês ganhou um nome curioso nas redes sociais. Vídeos sobre os chamados “luteal uglies” — expressão em inglês que pode ser traduzida livremente como “efeitos da fase lútea na aparência” — passaram a reunir milhares de relatos de mulheres que dizem perceber mudanças no rosto, na pele, no corpo e também na autoestima antes da menstruação.
Apesar do termo popular, a questão vai muito além da aparência. A chamada fase lútea é uma etapa normal do ciclo menstrual e envolve mudanças hormonais que podem provocar diferentes efeitos físicos e emocionais.
Ela começa depois da ovulação e termina com a chegada da menstruação. Nesse período, a progesterona passa a ter papel importante, enquanto os níveis de estrogênio também sofrem alterações. Essas oscilações podem estar relacionadas a sintomas que variam bastante de uma mulher para outra.
Pele, inchaço e sensação de mudança
Entre as manifestações que algumas mulheres percebem estão maior oleosidade da pele, surgimento ou piora de espinhas, sensação de pele menos viçosa e retenção de líquidos.
O organismo também pode apresentar maior tendência ao inchaço, inclusive no rosto e nas mamas. Por isso, é possível que uma mulher tenha a sensação de que sua aparência está diferente durante alguns dias do ciclo, mesmo que essa percepção seja temporária.
É importante fazer uma distinção: sentir-se diferente não significa necessariamente estar menos bonita. A percepção da própria imagem pode ser influenciada por alterações físicas, hormonais, emocionais e até pela qualidade do sono.
O humor também pode mudar
As transformações não ficam restritas ao corpo.
Algumas mulheres relatam, durante a fase lútea, maior irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração, alterações no sono, menor disposição para atividades sociais e mudanças de humor.
Em algumas pessoas, os sintomas são leves e desaparecem com o início da menstruação. Em outras, podem ser suficientemente intensos para interferir na rotina, nos estudos, no trabalho e nos relacionamentos.
É justamente por isso que reduzir tudo à ideia de “é apenas TPM” pode não ser adequado. Existe uma diferença entre sintomas pré-menstruais comuns e quadros em que as manifestações são intensas e recorrentes.
Por que a autoestima pode ser afetada?
A relação entre hormônios e percepção emocional é complexa. Durante a fase lútea, alterações físicas como inchaço, sensibilidade nas mamas, mudanças na pele e cansaço podem fazer com que algumas mulheres se sintam menos confortáveis com a própria aparência.
Além disso, alterações de humor podem contribuir para uma visão mais negativa de si mesma.
Isso ajuda a explicar por que algumas mulheres relatam nas redes sociais que, durante determinados dias do ciclo, passam a se enxergar de maneira mais crítica.
O fenômeno, portanto, não deve ser interpretado como uma “transformação da beleza”, mas como uma combinação de mudanças corporais temporárias e alterações na percepção e no bem-estar.
A experiência não é igual para todas
Nem todas as mulheres sentem a fase lútea da mesma maneira. Algumas praticamente não percebem mudanças, enquanto outras apresentam sintomas mais evidentes.
A intensidade também pode variar ao longo da vida e de um ciclo para outro.
Por isso, observar o próprio ciclo pode ser uma ferramenta útil. Registrar sintomas, alterações de humor, sono, alimentação e outros acontecimentos ao longo dos meses pode ajudar a identificar padrões.
O que pode ajudar?
Manter uma rotina equilibrada pode contribuir para o bem-estar durante o ciclo menstrual. Hidratação adequada, alimentação variada, sono de qualidade e atividade física regular estão entre os cuidados que podem ajudar algumas pessoas a lidar melhor com sintomas pré-menstruais.
Também pode ser útil evitar exageros no consumo de alimentos muito salgados e observar se determinados hábitos pioram os sintomas individuais.
Mas não existe uma fórmula única. O que funciona para uma mulher pode não produzir o mesmo efeito em outra.
Quando os sintomas são muito intensos, recorrentes ou começam a atrapalhar atividades do cotidiano, é importante conversar com um profissional de saúde. Alterações importantes de humor, dor, cansaço ou outros sintomas que comprometem a qualidade de vida merecem avaliação adequada.
Mais informação, menos cobrança
A popularização da fase lútea nas redes sociais pode ter um lado positivo: chamar atenção para um período do ciclo menstrual que muitas mulheres conhecem pouco.
Ao mesmo tempo, é importante evitar que a discussão se transforme em mais uma fonte de cobrança sobre a aparência feminina.
O corpo passa por mudanças ao longo do ciclo. Entender essas transformações pode ajudar a substituir a preocupação com “estar mais bonita ou mais feia” por uma percepção mais realista: há momentos em que o organismo simplesmente está funcionando de uma maneira diferente — e isso faz parte da fisiologia feminina.


