País que tem a cerveja como parte importante de sua tradição registra redução no número de fabricantes e nas vendas. Ao mesmo tempo, bebidas sem álcool conquistam consumidores e se tornam uma das principais apostas do setor.
A Alemanha, tradicionalmente associada à cultura cervejeira, atravessa uma transformação no mercado da bebida. O número de cervejarias em funcionamento caiu novamente em 2025, enquanto as vendas de cerveja seguem em trajetória de queda. Em meio ao cenário desafiador, um segmento vem encontrando espaço para crescer: o das cervejas sem álcool.
Dados do Escritório Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) mostram que o país encerrou 2025 com 1.415 cervejarias em atividade. O número representa uma redução de 53 estabelecimentos em relação ao ano anterior, equivalente a 3,6%.
Na comparação com 2019, quando a Alemanha chegou ao maior número de cervejarias em três décadas, o recuo é ainda mais expressivo: 137 estabelecimentos deixaram de funcionar, uma queda de 8,8%.
Menos cerveja sendo vendida
A redução no número de cervejarias acompanha uma diminuição no volume comercializado. Em 2025, foram vendidos aproximadamente 7,8 bilhões de litros de cerveja no país, abaixo dos 8,3 bilhões registrados em 2024.
Em relação a 2019, a retração chega a 15,7%. O volume também está distante dos 9,6 bilhões de litros comercializados em 2016.
A Baviera continua sendo o principal polo cervejeiro alemão, com 588 cervejarias, seguida por Baden-Württemberg, com 190, e Renânia do Norte-Vestfália, com 131.
A própria Baviera, porém, sentiu os efeitos da mudança. Entre 2019 e 2025, 60 cervejarias deixaram de operar no estado. Na Renânia do Norte-Vestfália, foram 31 fechamentos no mesmo período.
Pequenas cervejarias são maioria
Apesar da forte presença de grandes marcas no mercado, a estrutura do setor alemão é formada principalmente por pequenos produtores.
Dos estabelecimentos registrados em 2025, 821 produziam até 100 mil litros por ano, o que representa mais da metade do total.
Na outra ponta, apenas oito cervejarias alcançaram uma produção anual de pelo menos 200 milhões de litros.
O cenário revela uma pressão especialmente significativa sobre empresas menores e instalações que precisam lidar com custos crescentes e mudanças no comportamento dos consumidores.
Saúde e novos hábitos mudam o mercado
Além dos fatores econômicos, a transformação está relacionada aos hábitos de consumo. Pesquisas realizadas na Alemanha indicam que uma parcela significativa dos consumidores reduziu ou abandonou o consumo de cerveja com álcool.
Entre as razões apontadas estão preocupações relacionadas à saúde e uma menor disposição, principalmente entre consumidores mais jovens, para consumir bebidas alcoólicas.
Essa mudança abriu espaço para um mercado que até pouco tempo atrás era considerado secundário: o das cervejas sem álcool.
Cerveja sem álcool bate recorde
Enquanto a cerveja tradicional perde espaço, as versões sem álcool alcançam resultados históricos.
Segundo a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), as cervejas sem álcool já representam 11% do consumo total de cerveja no país.
Em 2025, foram consumidos aproximadamente 750 milhões de litros dessas bebidas, um recorde que representa crescimento de 7,6% em relação ao período anterior.
O desempenho fez com que o segmento deixasse de ser visto apenas como uma alternativa para quem não pode ou não quer consumir álcool e passasse a ser considerado uma importante frente de crescimento para a indústria.
Uma transformação na tradição cervejeira
A situação vivida pela Alemanha mostra que a tradição cervejeira não desapareceu, mas está passando por uma mudança profunda.
O setor enfrenta uma combinação de fatores: redução do consumo, aumento dos custos de produção, necessidade de modernização das instalações e novas escolhas por parte dos consumidores.
Para representantes da indústria, trata-se de uma mudança estrutural que poderá continuar provocando o fechamento de unidades consideradas economicamente inviáveis.
Ao mesmo tempo, o crescimento das opções sem álcool aponta para uma possível transformação do mercado. Em vez de simplesmente abandonar a cerveja, parte dos consumidores está escolhendo novas versões da bebida, com menor ou nenhum teor alcoólico.
A Alemanha, portanto, vive um paradoxo: a cerveja tradicional perde espaço, mas a cultura cervejeira encontra uma nova oportunidade justamente em uma versão que dispensa o álcool.


