Acordo internacional amplia a proteção de 64% dos oceanos do planeta, fortalece a biodiversidade, combate os efeitos das mudanças climáticas e abre novas oportunidades para a economia azul.
Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e desempenham papel fundamental na regulação do clima, na produção de alimentos e na manutenção da biodiversidade global. Agora, um novo acordo internacional promete reforçar essa proteção em uma escala sem precedentes.
O chamado Tratado do Alto-Mar, desenvolvido no âmbito da Organização das Nações Unidas, estabelece regras para a conservação e o uso sustentável das águas internacionais, áreas que ficam além das jurisdições nacionais e representam cerca de 64% dos oceanos do planeta.
A iniciativa é considerada um dos avanços mais importantes da governança oceânica desde a adoção da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O objetivo é ampliar a proteção ambiental em regiões que, até então, possuíam mecanismos limitados de fiscalização e coordenação entre os países.
Apesar de estarem distantes da maioria das populações, essas áreas oceânicas concentram aproximadamente 95% do espaço habitável da Terra. Nelas vivem inúmeras espécies marinhas e ecossistemas essenciais para o equilíbrio ambiental do planeta.
Além da preservação da biodiversidade, o tratado também possui forte impacto econômico. Estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a chamada economia do oceano poderá movimentar mais de US$ 3 trilhões até 2030.
Esse crescimento está relacionado à expansão da chamada economia azul, conceito que reúne atividades econômicas dependentes da saúde dos oceanos, como pesca sustentável, transporte marítimo, turismo costeiro, energias renováveis em alto-mar e biotecnologia marinha.
Oceano saudável significa clima mais equilibrado
Os efeitos da conservação dos oceanos vão muito além das regiões costeiras. Os mares funcionam como um dos principais reguladores naturais do clima mundial.
Pesquisas internacionais apontam que os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor provocado pelo aquecimento global e armazenam grandes quantidades de carbono, ajudando a reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Quando os ecossistemas marinhos sofrem degradação, aumentam os riscos de desequilíbrios ambientais que podem afetar a pesca, a segurança alimentar e até a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.
Por isso, especialistas consideram que proteger os oceanos também significa fortalecer as estratégias globais de enfrentamento às mudanças climáticas.
O que muda com o novo acordo
O Tratado do Alto-Mar cria instrumentos para ampliar a conservação ambiental em águas internacionais, incluindo a criação de novas áreas marinhas protegidas, mecanismos de monitoramento e avaliações de impacto ambiental mais rigorosas para atividades realizadas em alto-mar.
Também fortalece a cooperação entre países na gestão sustentável dos recursos oceânicos, permitindo uma atuação mais coordenada na preservação de habitats considerados estratégicos para a biodiversidade mundial.
A expectativa é reduzir a pressão sobre espécies vulneráveis, melhorar a fiscalização e aumentar a capacidade internacional de resposta a ameaças ambientais.
Oportunidades para países em desenvolvimento
Outro ponto importante do tratado é a ampliação das oportunidades para países em desenvolvimento.
O acordo incentiva a cooperação científica, a transferência de conhecimento, a formação de profissionais especializados e o desenvolvimento de projetos voltados à conservação marinha.
Isso pode estimular novas oportunidades de emprego em áreas ligadas à pesquisa, monitoramento ambiental, inovação tecnológica e economia azul, fortalecendo a participação de países emergentes em um setor considerado estratégico para o futuro da economia global.
Uma pauta ambiental que afeta toda a sociedade
Especialistas destacam que o sucesso do tratado dependerá não apenas dos governos, mas também do acompanhamento da sociedade e da transparência na implementação das medidas previstas.
O avanço do Tratado do Alto-Mar reforça uma compreensão cada vez mais presente entre cientistas e formuladores de políticas públicas: a saúde dos oceanos está diretamente ligada à qualidade de vida das populações, à estabilidade climática, à produção de alimentos e ao desenvolvimento econômico.
Mais do que um acordo ambiental, o tratado representa um investimento global na preservação de recursos essenciais para as próximas gerações e na construção de um futuro mais sustentável para o planeta.


