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Homem com sangue ultrarraro faz 545 doações e percorre 85 centros de coleta para salvar vidas

Policial australiano de 59 anos transformou a doação de sangue em uma missão de solidariedade e percorreu o país durante dez anos para ajudar a proteger vidas, incluindo as de bebês ainda na gestação.

Aos 59 anos, o policial australiano Trevor Bergman tem uma história marcada pela solidariedade. Morador de Melbourne, ele já realizou 545 doações de sangue e plasma ao longo da vida e concluiu um desafio pouco comum: visitar os 85 centros de coleta da Austrália, transformando cada viagem em uma oportunidade de ajudar outras pessoas.

A trajetória ganhou destaque na imprensa australiana em outubro de 2026, após Trevor completar uma jornada de aproximadamente dez anos pelo país. Mais do que os quilômetros percorridos, sua história chama atenção por uma característica especial: seu plasma contém um anticorpo raro, chamado anti-D, utilizado na produção de um medicamento que ajuda a prevenir complicações graves durante a gravidez.

Trevor integra um grupo de aproximadamente 150 australianos identificados como doadores com esse anticorpo, segundo informações divulgadas pela Australian Red Cross Lifeblood, organização responsável pelos serviços de coleta de sangue no país.

Uma história de solidariedade que começou aos 18 anos

Trevor começou a doar sangue aos 18 anos, muito antes de imaginar que um gesto tão simples se tornaria parte importante de sua vida.

A ideia de conhecer todos os centros de coleta da Austrália surgiu durante uma viagem de férias a Perth, no oeste do país. Ao encontrar uma unidade de doação, decidiu aproveitar a oportunidade para contribuir.

A experiência despertou uma ideia: por que não incluir os bancos de sangue nos roteiros de suas próximas viagens?

Foi assim que ele passou a combinar duas atividades de que gostava: conhecer novos lugares e ajudar pessoas. Ao longo dos anos, percorreu diferentes regiões australianas, atravessou grandes distâncias e visitou cidades que talvez não conhecesse em outras circunstâncias.

O projeto pessoal acabou se transformando em uma jornada de dez anos, marcada pela regularidade das doações e pelo compromisso com a saúde de desconhecidos.

Anticorpo raro ajuda a proteger bebês durante a gravidez

A importância das doações de Trevor vai além da quantidade. Seu plasma contém o anticorpo anti-D, utilizado na fabricação de imunoglobulina anti-D, um medicamento essencial para prevenir determinados problemas relacionados à incompatibilidade do fator Rh entre mãe e bebê.

Essa situação pode ocorrer quando uma gestante possui sangue Rh negativo e o bebê apresenta Rh positivo. Em determinadas circunstâncias, o organismo materno pode desenvolver anticorpos contra as células sanguíneas do bebê, provocando complicações que podem comprometer sua saúde.

A imunoglobulina anti-D ajuda a impedir essa sensibilização imunológica, reduzindo o risco de desenvolvimento da doença hemolítica do feto e do recém-nascido.

Na Austrália, aproximadamente 48 mil gestantes recebem esse tipo de tratamento anualmente, conforme informações da Australian Red Cross Lifeblood.

Por isso, doadores como Trevor desempenham um papel importante na manutenção dos estoques de plasma destinados à fabricação desse medicamento.

Dez anos de viagens e 85 centros de coleta

Para completar seu desafio, Trevor precisou organizar viagens por diferentes partes da Austrália, incluindo regiões distantes de Melbourne.

Ele percorreu a costa leste, viajou até o oeste australiano e chegou a Darwin, no norte do país. Cada centro visitado representava mais uma etapa de seu objetivo.

Nem sempre, porém, tudo aconteceu como planejado.

Em uma viagem até Albany, no oeste australiano, Trevor não pôde realizar a doação porque apresentava sintomas leves de resfriado. Apesar da frustração, compreendeu a decisão dos profissionais de saúde, necessária para preservar a segurança do processo.

O episódio também reforça uma orientação importante: a doação de sangue depende de avaliação clínica e do cumprimento de critérios de saúde, tanto para proteger o doador quanto quem receberá os componentes sanguíneos.

Última doação contou com homenagem especial

A conclusão da jornada aconteceu em maio de 2026, em Canberra, capital da Austrália.

No último centro de coleta de sua lista, Trevor realizou uma doação de plasma e encerrou oficialmente o desafio de visitar todas as 85 unidades.

A ocasião contou com a presença de Sam Mostyn, governadora-geral da Austrália, que também realizou uma doação em reconhecimento à iniciativa.

O encontro marcou o encerramento de uma jornada pessoal, mas não necessariamente o fim do compromisso de Trevor com a doação.

Sua trajetória demonstra como um hábito mantido ao longo de décadas pode contribuir para tratamentos médicos e para a proteção de milhares de famílias.

Um exemplo que ultrapassa fronteiras

Embora a história tenha acontecido na Austrália, a mensagem também é importante para o Brasil, onde os hemocentros dependem de doações voluntárias e regulares para atender pacientes que necessitam de transfusões e outros tratamentos.

A doação de sangue contribui para o atendimento de pessoas submetidas a cirurgias, vítimas de acidentes e pacientes com doenças que exigem reposição de componentes sanguíneos.

Já a doação de plasma pode ter aplicações específicas, incluindo a produção de medicamentos derivados do sangue.

O exemplo de Trevor mostra que a solidariedade não precisa estar associada apenas a situações de emergência. Ela também pode fazer parte da rotina e se transformar em um compromisso duradouro.

Afinal, para quem precisa de uma transfusão ou de um tratamento que depende de componentes sanguíneos, a decisão de alguém doar pode fazer toda a diferença.

Fonte: ABC News Australia, reportagem publicada em 30 de outubro de 2026, e Australian Red Cross Lifeblood.

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