Criado no Japão no início do século XX, o Reiki se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, onde passou a integrar as práticas integrativas oferecidas pelo SUS
Uma prática que une imposição de mãos, meditação e busca pelo equilíbrio entre corpo e mente. Assim é conhecido o Reiki, uma técnica de origem japonesa que conquistou adeptos em diferentes países e passou a fazer parte das chamadas práticas integrativas e complementares em saúde.
Mas como essa prática surgiu, o que significa seu nome e de que maneira ela se tornou conhecida internacionalmente?
O que significa Reiki?
A palavra Reiki tem origem japonesa e é formada pela combinação de dois termos: Rei, associado à ideia de universal ou espiritual, e Ki, que significa energia vital. Juntos, eles expressam o conceito de energia vital universal, fundamento da prática segundo seus princípios tradicionais.
Durante uma sessão, o praticante posiciona as mãos sobre o corpo da pessoa atendida ou próximo a ele, seguindo uma sequência de posições. A proposta é favorecer o relaxamento, a tranquilidade e a sensação de bem-estar.
O Reiki também é associado, em algumas tradições, aos chakras, centros de energia presentes em determinadas concepções espirituais orientais.
É importante, porém, distinguir as crenças que fundamentam a técnica das evidências científicas: a existência de uma energia universal transmitida pelas mãos não foi demonstrada cientificamente. Por isso, o Reiki não deve substituir tratamentos médicos ou psicológicos comprovados.
Como surgiu o Reiki?
A história do Reiki está ligada a Mikao Usui, japonês que desenvolveu e sistematizou a prática no início do século XX.
Em 1922, Usui teria vivenciado uma experiência espiritual durante um período de meditação e disciplina religiosa no Monte Kurama, nas proximidades de Kyoto, no Japão. De acordo com os relatos tradicionais, essa experiência marcou o início do método que ficou conhecido como Usui Reiki Ryōhō.
Antes disso, Usui já demonstrava interesse por estudos religiosos, práticas contemplativas e conhecimentos espirituais. A proposta que desenvolveu reunia princípios de aperfeiçoamento pessoal e uma forma específica de aplicação das mãos, com o objetivo de promover bem-estar físico e emocional.
Embora existam diferentes narrativas sobre as circunstâncias exatas que levaram à criação do Reiki, Mikao Usui é reconhecido como o fundador do método moderno.
Os ensinamentos que atravessaram gerações
Após desenvolver sua prática, Usui passou a ensinar outras pessoas e estabeleceu, em Tóquio, uma instituição dedicada ao método, conhecida como Usui Reiki Ryōhō Gakkai.
Seus ensinamentos foram transmitidos a alunos que, por sua vez, formaram novos praticantes. Essa continuidade ajudou a preservar a tradição e permitiu que o Reiki alcançasse outras regiões do Japão.
Um dos nomes importantes nesse processo foi Chujiro Hayashi, médico da Marinha japonesa e aluno de Usui. Hayashi desenvolveu sua própria abordagem de atendimento e contribuiu para a expansão da técnica.
Posteriormente, Hawayo Takata, nascida no Havaí e de ascendência japonesa, aprendeu Reiki com Hayashi e teve papel decisivo na divulgação da prática no Ocidente. A partir de seus ensinamentos, o método chegou a novos públicos, especialmente nos Estados Unidos, e depois ganhou espaço em outros países.
Com a expansão internacional, surgiram diferentes escolas e vertentes, algumas com símbolos, métodos de ensino e interpretações próprias. Apesar das variações, muitas mantêm como referência os ensinamentos associados a Mikao Usui.
Reiki no Brasil e no SUS
No Brasil, o Reiki passou a ser conhecido por pessoas interessadas em terapias integrativas, meditação e práticas voltadas ao bem-estar.
Em janeiro de 2017, a técnica foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a possibilidade de oferta nos serviços públicos de saúde, conforme a organização e a disponibilidade de cada município ou unidade.
A inclusão não significa que o Reiki substitua procedimentos médicos convencionais nem que todos os seus efeitos terapêuticos tenham comprovação científica. A proposta das práticas integrativas é oferecer recursos complementares de cuidado, respeitando os limites e as necessidades de cada paciente.
Instituições de saúde também podem utilizar práticas de relaxamento e acolhimento como parte da atenção ao paciente. A disponibilidade de Reiki, no entanto, depende dos serviços e programas adotados por cada instituição.
Uma prática que continua despertando interesse
Mais de um século após seu desenvolvimento, o Reiki continua presente em cursos, espaços terapêuticos e iniciativas de cuidado integrativo em diferentes partes do mundo.
Para seus praticantes, a técnica representa uma oportunidade de conexão interior, tranquilidade e equilíbrio. Para quem deseja conhecê-la, é importante buscar profissionais qualificados, compreender os fundamentos da prática e manter o acompanhamento adequado de saúde quando necessário.
A trajetória do Reiki mostra como um método desenvolvido no Japão ultrapassou fronteiras culturais e se incorporou a diferentes formas de compreender o bem-estar, preservando sua dimensão espiritual e encontrando novos espaços na sociedade contemporânea.


