Pólen, poeira, pulgas e mudanças no ambiente podem intensificar problemas de pele, olhos e respiração; saiba quando procurar um veterinário
A primavera traz dias mais quentes, flores e maior contato com ambientes externos. Para cães e gatos, porém, a mudança de estação também pode significar uma exposição maior a substâncias capazes de desencadear ou agravar alergias.
Pólen, poeira e alterações na umidade do ambiente estão entre os fatores que podem contribuir para o aumento dos sintomas em animais predispostos. As pulgas também merecem atenção, especialmente porque uma única picada pode provocar uma reação intensa em pets sensibilizados.
De acordo com a veterinária e professora Myriam Teixeira, animais que já apresentam tendência a alergias podem perceber uma piora dos sintomas nessa época do ano.
Entre as manifestações mais comuns estão coceira, vermelhidão da pele, lambedura excessiva, irritação nos olhos, espirros e alterações nas orelhas. Os sinais, entretanto, podem variar bastante entre os animais.
Coceira excessiva merece atenção
Nos cães, a dermatite atópica pode apresentar períodos de agravamento, com coceira intensa, vermelhidão e alterações na pele. O animal pode passar a se lamber, morder ou coçar determinadas regiões com frequência.
Já nos gatos, fatores ambientais podem contribuir para o agravamento de problemas respiratórios, como a asma felina e a bronquite.
Mas é importante lembrar que nem toda coceira significa alergia.
Infecções provocadas por fungos ou bactérias, parasitas, alergias alimentares e outras doenças dermatológicas também podem causar sintomas semelhantes. Por isso, tentar identificar a causa apenas pela aparência da pele pode levar a conclusões equivocadas.
A orientação veterinária é importante principalmente quando a coceira é persistente, surgem feridas, crostas, falhas no pelo ou quando o animal começa a apresentar mudanças significativas de comportamento.
Pulgas podem provocar reações mesmo quando não são encontradas
Com temperaturas mais elevadas, as condições ambientais podem favorecer a presença de pulgas. O problema é ainda maior para animais que apresentam alergia à saliva desses parasitas.
Em pets sensibilizados, uma única picada pode desencadear uma reação intensa, provocando coceira e lesões na pele.
Por isso, não encontrar uma pulga no corpo do animal não significa necessariamente que ela não esteja envolvida no problema. O pet pode ter sido picado sem que o parasita seja percebido pelo responsável.
A prevenção contra pulgas e outros ectoparasitas deve ser feita de acordo com a orientação de um médico-veterinário, inclusive para animais que vivem predominantemente dentro de casa.
Olhos vermelhos e lacrimejamento também podem aparecer
O contato com partículas presentes no ambiente pode afetar regiões sensíveis, como os olhos. Vermelhidão, lacrimejamento e desconforto podem aparecer em alguns animais.
Apesar disso, esses sinais não permitem concluir sozinhos que se trata de uma alergia. Infecções, corpos estranhos e outros agentes irritantes também podem provocar alterações oculares.
Se o pet começar a esfregar os olhos constantemente, apresentar secreção ou demonstrar desconforto persistente, é recomendável procurar avaliação veterinária.
Ouvidos também merecem atenção
Problemas alérgicos podem favorecer alterações no ambiente do canal auditivo e contribuir para o aparecimento de otites.
Alguns sinais são fáceis de perceber em casa: o animal pode balançar a cabeça repetidamente, coçar as orelhas ou esfregá-las em móveis e outras superfícies.
Mau cheiro e secreção nos ouvidos também são sinais que não devem ser ignorados. A avaliação profissional ajuda a identificar a causa e definir o tratamento adequado.
Quando procurar um veterinário?
Alguns sinais indicam que o problema merece uma investigação mais cuidadosa. Entre eles estão:
- coceira intensa ou que não desaparece;
- queda de pelos;
- feridas, crostas ou vermelhidão na pele;
- lambedura ou mordidas constantes em determinadas regiões;
- lesões nas patas e entre os dedos;
- otites recorrentes;
- mau cheiro na pele ou nos ouvidos;
- olhos vermelhos, lacrimejamento ou secreção;
- espirros frequentes;
- tosse ou outras alterações respiratórias;
- sintomas de pele acompanhados de vômitos ou diarreia.
Em algumas situações, entretanto, não é recomendável esperar por uma consulta de rotina. Dificuldade importante para respirar, inchaço repentino no rosto ou focinho, fraqueza intensa, desmaio ou colapso são sinais de emergência veterinária.
Cuidados ajudam a proteger os pets
Durante a primavera, observar mudanças no comportamento e na aparência do animal pode ajudar a perceber os primeiros sinais de desconforto.
Manter o ambiente limpo, reduzir o acúmulo de poeira e manter o controle de pulgas e outros parasitas são medidas importantes. O uso de medicamentos ou produtos para tratar alergias, porém, deve ser feito somente com orientação veterinária.
A coceira ocasional pode não representar um problema grave. Mas quando se torna frequente, intensa ou aparece acompanhada de alterações na pele, nos olhos, nos ouvidos ou na respiração, é importante investigar a causa.
Cuidar cedo pode evitar que um simples incômodo evolua para um problema mais difícil de controlar.


