Projeto une capacitação profissional, ressocialização e combate à pobreza menstrual, com prioridade para mulheres privadas de liberdade e distribuição do excedente a estudantes.
Uma iniciativa em Alagoas pretende transformar a produção de absorventes em uma oportunidade de aprendizado, trabalho e inclusão social para mulheres privadas de liberdade. O projeto será desenvolvido no Estabelecimento Prisional Feminino Santa Luzia, em Maceió, onde internas receberão capacitação para fabricar produtos de higiene menstrual destinados inicialmente ao próprio sistema prisional.
A proposta também poderá beneficiar estudantes da rede pública de ensino. Após o atendimento das necessidades das mulheres custodiadas, a produção excedente deverá ser encaminhada às escolas, contribuindo para ampliar o acesso a itens essenciais de higiene.
Além de enfrentar a pobreza menstrual, a iniciativa busca oferecer novas perspectivas às participantes, que poderão adquirir conhecimentos profissionais e desenvolver habilidades úteis para a reintegração à sociedade.
Capacitação profissional e novas oportunidades
O projeto prevê o treinamento das internas para operar os equipamentos utilizados na fabricação dos absorventes. A atividade permitirá que as participantes tenham contato com processos produtivos e desenvolvam competências relacionadas ao trabalho industrial.
A formação profissional é uma das estratégias utilizadas para fortalecer a ressocialização no sistema penitenciário. Ao oferecer oportunidades de aprendizado e ocupação produtiva, iniciativas dessa natureza podem contribuir para a autonomia das mulheres e ampliar suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
A Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas (Seris) participa da implantação da unidade. O órgão também desenvolve outras atividades produtivas no sistema prisional, como a Padaria Central e o Núcleo Industrial Bernardo Oiticica.
Combate à pobreza menstrual começa dentro do presídio
Um dos principais objetivos da iniciativa é garantir o acesso a absorventes para as próprias mulheres privadas de liberdade.
A higiene menstrual é uma necessidade básica de saúde e dignidade. A falta de acesso regular a produtos adequados pode comprometer o bem-estar e as condições de higiene de mulheres e adolescentes, especialmente em situações de vulnerabilidade social.
No projeto alagoano, a distribuição seguirá uma ordem de prioridade: primeiro, os absorventes serão destinados às internas do estabelecimento prisional. Caso a fabricação supere essa demanda, o excedente poderá atender estudantes da rede pública.
A medida estabelece uma conexão entre duas necessidades sociais: a promoção da dignidade menstrual no sistema prisional e o apoio a estudantes que enfrentam dificuldades para adquirir produtos de higiene.
Estrutura e financiamento do projeto
A implantação da fábrica envolve a atuação conjunta do Governo de Alagoas, do Poder Judiciário e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O maquinário foi viabilizado por meio de convênio com o Ministério da Justiça, enquanto o governo estadual ficou responsável pela construção do espaço destinado à produção.
Os insumos necessários à fabricação serão adquiridos com recursos provenientes de penas pecuniárias, valores decorrentes de condenações criminais que podem ser destinados a projetos de interesse social, conforme as regras aplicáveis.
A destinação dos produtos e os encaminhamentos para o funcionamento da unidade foram discutidos em reunião realizada em 20 de outubro de 2026, com a participação de representantes do Judiciário e do governo estadual.
Segundo o juiz Alexandre Machado, da 16ª Vara Criminal de Maceió, as internas participarão diretamente do processo de fabricação.
Em outubro, o Governo de Alagoas informou que a estrutura física estava concluída e os equipamentos já haviam sido adquiridos. Na ocasião, a unidade passava pelos últimos ajustes técnicos, com previsão de início das atividades em até 30 dias.
Projeto integra planejamento de ressocialização
A proposta de fabricar absorventes no estabelecimento prisional Santa Luzia faz parte de um planejamento anterior. A produção de absorventes e fraldas descartáveis já estava prevista no Plano Estadual de Trabalho no Sistema Penal de Alagoas, elaborado em agosto de 2024.
A implantação da unidade representa mais uma possibilidade de associar atividades produtivas à formação profissional de pessoas privadas de liberdade.
Ao mesmo tempo, a iniciativa amplia a dimensão social do trabalho desenvolvido no sistema prisional, uma vez que os produtos poderão beneficiar outras mulheres e adolescentes.
Com a entrada em funcionamento da fábrica, o alcance do projeto dependerá da capacidade de produção e da quantidade de absorventes disponível após o atendimento das internas.
A expectativa é que a iniciativa contribua para transformar o período de cumprimento da pena em uma oportunidade de qualificação, ao mesmo tempo em que fortalece o acesso à higiene menstrual e à dignidade.


