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Casal cria reserva ambiental familiar em Goiás que continua protegida mesmo após venda da terra

Área de 17 hectares da Fazenda Vagafogo, em Pirenópolis, foi transformada em reserva particular em 1990 e mantém o compromisso de conservação do Cerrado para as próximas gerações.

Em Pirenópolis, no coração do Brasil, uma decisão tomada há mais de três décadas se transformou em um legado de proteção ambiental. O casal Evandro Engel Ayer e Catarina Judite Schiffer destinou 17 hectares da Fazenda Vagafogo à conservação do Cerrado, estabelecendo uma proteção que permanece válida mesmo se a propriedade for vendida ou herdada por outras pessoas.

Formalizada em 1990, a iniciativa transformou parte da fazenda, que possui 46 hectares, em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A categoria permite que a terra continue sendo privada, mas estabelece um compromisso permanente com a preservação ambiental.

Casal que se conheceu na Bélgica transforma parte da fazenda onde criou os filhos, em Pirenópolis (GO), em uma reserva permanente de 17 hectares para proteger o Cerrado.

Na prática, isso significa que a área protegida não perde essa condição quando muda de proprietário. A obrigação de conservar a vegetação acompanha o imóvel, fazendo com que a decisão do casal ultrapasse sua própria história e alcance as futuras gerações.

A trajetória da família voltou a ganhar destaque em outubro de 2026, com o reconhecimento do Mosaico da Serra dos Pireneus, formado por 20 reservas particulares da região. A Fazenda Vagafogo está entre as propriedades que integram essa iniciativa coletiva de conservação.

Uma escolha construída ao longo dos anos

A história da família com a Fazenda Vagafogo começou em 1975, quando Evandro e Catarina adquiriram a propriedade. Em 1979, passaram a morar no local, onde criaram os filhos Uirá e Maíra.

Antes de formalizar a reserva, a família conciliava a vida no campo com a produção de alimentos. Durante aproximadamente dez anos, parte dessa produção era comercializada em Brasília, atividade que também contribuiu para aproximar o casal de pessoas envolvidas com a preservação ambiental.

Em 1989, a Fundação Pró-Natureza (Funatura) começou a apoiar o processo de conservação da fazenda. O trabalho ajudou a viabilizar a criação da RPPN no ano seguinte.

A decisão de destinar parte da propriedade à proteção do Cerrado mostrou que a conservação ambiental pode fazer parte da história de uma família sem necessariamente romper sua relação com a terra e com as atividades econômicas desenvolvidas nela.

Por que a reserva continua protegida após uma venda?

As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são unidades de conservação criadas em propriedades privadas por iniciativa de seus titulares. Uma vez reconhecida e registrada, a RPPN tem caráter perpétuo, conforme a legislação ambiental brasileira.

Isso significa que a venda, a doação ou a herança do imóvel não elimina a obrigação de conservar a área. O novo proprietário também precisa respeitar as restrições estabelecidas para a reserva.

A proteção não impede todas as atividades humanas. Desde que atendam às regras legais e aos instrumentos de gestão aplicáveis, podem ser realizadas iniciativas como pesquisa científica, educação ambiental e visitação turística.

Na Fazenda Vagafogo, a relação entre natureza e atividade econômica também se tornou parte da identidade do empreendimento. A propriedade oferece experiências ligadas ao turismo, como trilhas e atividades gastronômicas, além de produtos elaborados com ingredientes locais.

Assim, a área protegida integra uma história que reúne conservação ambiental, produção e geração de renda.

Um legado que chega à terceira geração

A continuidade da fazenda também passa pela preparação dos familiares que assumirão responsabilidades no futuro. Uirá Ayer participa da administração do empreendimento, onde seus três filhos também vivem e trabalham.

Em julho de 2026, o Sebrae Goiás informou que a família havia contratado uma consultoria para organizar a sucessão administrativa do negócio. O objetivo é estruturar responsabilidades e preparar a continuidade das atividades entre as gerações.

Esse planejamento empresarial se soma a um compromisso ambiental que já possui proteção jurídica própria. Enquanto a gestão do empreendimento pode ser reorganizada ao longo do tempo, os 17 hectares da reserva permanecem submetidos às obrigações de conservação.

A história da Fazenda Vagafogo mostra como uma escolha individual pode produzir efeitos duradouros. Ao transformar parte da propriedade em reserva permanente, Evandro e Catarina estabeleceram um compromisso que não depende apenas da vontade de seus descendentes ou de futuros compradores.

Interpretação GT

A história da Fazenda Vagafogo, em Pirenópolis, mostra que preservar o meio ambiente também é uma forma de pensar nas próximas gerações. Ao destinar parte da propriedade ao Cerrado, uma família transformou uma decisão particular em um compromisso permanente, capaz de atravessar mudanças de gestão, heranças e até a venda da terra.

Mais do que proteger 17 hectares, a iniciativa deixa um exemplo de como conservação ambiental, continuidade familiar e atividade econômica podem caminhar juntas.

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