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Robôs com pele artificial estreiam como apresentadores de notícias na China

Desenvolvidos pela agência estatal Xinhua em parceria com a UBTECH, humanoides têm aparência humana, reproduzem expressões faciais e representam um novo avanço da inteligência artificial na comunicação.

A inteligência artificial ganhou rostos, corpos e lugares à bancada de um telejornal na China. Dois robôs humanoides, chamados Xinyan e Xinyu, fizeram sua primeira apresentação pública como âncoras de notícias em Pequim, na quinta-feira (5 de novembro), durante um evento dedicado à inteligência artificial e à modernização tecnológica do país.

Com altura e proporções semelhantes às de pessoas reais, pele sintética e movimentos faciais coordenados com a fala, os robôs surpreendem pelo realismo. Durante a demonstração, apresentaram um boletim sobre o próprio lançamento, movimentando os lábios, alternando olhares e reproduzindo pequenas expressões enquanto permaneciam sentados atrás de uma bancada.

A novidade foi desenvolvida pela agência estatal de notícias Xinhua em parceria com a fabricante chinesa de robótica UBTECH. O projeto combina engenharia mecânica, inteligência artificial e recursos de comunicação audiovisual para explorar novas possibilidades de produção e apresentação de conteúdos jornalísticos.

Aparência criada por diretor de cinema

Um dos detalhes mais curiosos do projeto está na concepção visual dos apresentadores. A aparência de Xinyan, personagem feminina, e Xinyu, personagem masculino, foi idealizada pelo cineasta chinês Zhang Yimou, conhecido por dirigir filmes como Herói e participar da criação das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

A proposta foi desenvolver robôs capazes de transmitir uma presença visual próxima à humana, utilizando pele artificial, expressões faciais e movimentos sincronizados com a voz.

Na apresentação divulgada pela Xinhua, os humanoides demonstraram essas capacidades em uma leitura previamente preparada. Entretanto, as imagens não permitem avaliar como se comportariam em entrevistas espontâneas, transmissões prolongadas ou situações inesperadas.

Inteligência artificial com conteúdo supervisionado

Embora tenham aparência futurista, Xinyan e Xinyu não foram desenvolvidos para substituir integralmente o trabalho dos jornalistas.

Os robôs utilizam uma plataforma de inteligência artificial associada ao sistema Xinhua Lexicon, que reúne conteúdos selecionados e revisados pela própria agência. A tecnologia transforma essas informações em apresentações com voz, movimentos corporais e expressões faciais.

O funcionamento mantém o controle editorial sob responsabilidade humana, já que os materiais utilizados passam por processos de seleção e revisão antes de serem apresentados.

Segundo a Xinhua, a intenção é incorporar os humanoides como ferramentas de apoio às atividades da redação, especialmente na apresentação de boletins, na produção de conteúdos em diferentes idiomas e em interações com o público.

China já utilizava apresentadores virtuais desde 2018

A utilização de inteligência artificial na apresentação de notícias não é inédita na China. Em 2018, a própria Xinhua apresentou âncoras virtuais criados digitalmente, capazes de reproduzir características humanas na tela.

A principal diferença agora é que Xinyan e Xinyu possuem corpos físicos. Enquanto os modelos anteriores existiam como representações digitais, os novos apresentadores podem ocupar ambientes reais, sentar-se em uma bancada e executar movimentos diante das câmeras.

Essa evolução aproxima a tecnologia jornalística de outras aplicações da robótica humanoide, que já vem sendo experimentada em ambientes industriais, comerciais e de atendimento.

Tecnologia poderá chegar a outros ambientes

Além das atividades jornalísticas, a Xinhua considera utilizar os robôs em espaços educacionais, centros de recepção e eventos culturais chineses realizados no exterior.

A possibilidade de participação em coberturas especiais, incluindo temas relacionados à exploração espacial, também foi mencionada pela agência. No entanto, ainda não foram anunciados projetos específicos ou um calendário para essas aplicações.

A estreia também não trouxe informações sobre custos de produção, autonomia de funcionamento ou previsão de utilização regular em programas de notícias.

Por enquanto, Xinyan e Xinyu representam uma demonstração tecnológica, e não a substituição de apresentadores humanos em uma operação jornalística permanente.

A experiência evidencia como a inteligência artificial começa a ultrapassar as telas e ganhar presença física em atividades tradicionalmente realizadas por pessoas. Ao mesmo tempo, reforça discussões sobre transparência, supervisão editorial e os limites do uso de máquinas na comunicação.

Mais do que reproduzir a aparência de um apresentador, o desafio será demonstrar como essas tecnologias podem contribuir para a produção de informações confiáveis, mantendo a responsabilidade jornalística nas mãos de profissionais humanos.

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