Pesquisa da Universidade de Tsukuba, no Japão, identificou aumento de potência em sprints de bicicleta e menor percepção de esforço e dor muscular após o consumo da substância
Uma dose de cafeína antes da atividade física pode influenciar o desempenho durante mais tempo do que se imaginava. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, que identificou efeitos positivos da substância em exercícios intensos e repetidos por pelo menos 3 horas e meia após o consumo.
Publicado em 1º de setembro de 2026 na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise, o trabalho investigou por quanto tempo os efeitos da cafeína sobre o desempenho físico permanecem após a ingestão.
A pesquisa envolveu 12 adultos jovens e saudáveis, que participaram de diferentes condições experimentais. Em uma delas, receberam cafeína na dose de 5,5 miligramas por quilograma de massa corporal; em outra, receberam placebo. A ingestão ocorreu 60 minutos antes dos exercícios.
Testes envolveram tiros intensos de bicicleta
Após o período inicial, os participantes realizaram uma sequência de sprints em bicicleta, caracterizados por esforços máximos e de curta duração, repetidos ao longo de 3 horas e meia.
Durante o experimento, os pesquisadores acompanharam diversos indicadores, incluindo a concentração de cafeína e noradrenalina no sangue, respostas cardiovasculares e respiratórias, fluxo sanguíneo cerebral e a percepção dos voluntários sobre o esforço e o desconforto muscular.
Os resultados mostraram que os participantes que receberam cafeína apresentaram maior potência média e maior potência máxima durante os tiros de bicicleta. A diferença permaneceu perceptível ao longo do período analisado.
Além do desempenho, os voluntários também relataram menor percepção de esforço e menor sensação de dor muscular nas pernas depois dos exercícios.
Substância também alterou respostas do organismo
A pesquisa identificou ainda alterações em algumas respostas fisiológicas. Após os exercícios, os níveis de noradrenalina, hormônio e neurotransmissor relacionado à resposta do organismo ao esforço, estavam mais elevados entre os participantes que consumiram cafeína.
Os pesquisadores também observaram mudanças nas respostas cardiovasculares e respiratórias. Outro achado foi uma redução na velocidade do sangue na artéria cerebral média, parâmetro utilizado para avaliar alterações no fluxo sanguíneo cerebral durante o exercício.
O que o estudo mostra
Para os autores, os resultados indicam que uma única dose de cafeína ingerida antes do exercício pode produzir efeitos sobre o desempenho em atividades intermitentes por várias horas.
A descoberta pode ser relevante para modalidades esportivas que exigem esforços intensos repetidos durante períodos prolongados, como competições e torneios.
Isso não significa, porém, que o consumo de cafeína seja indicado da mesma maneira para todas as pessoas. A resposta à substância pode variar conforme características individuais, além da quantidade consumida e do horário da ingestão.
O estudo também teve uma amostra pequena, com apenas 12 participantes, e foi realizado com adultos jovens e saudáveis. Por isso, os resultados não devem ser automaticamente generalizados para outros grupos da população.
A pesquisa contribui, principalmente, para ampliar a compreensão sobre quanto tempo os efeitos da cafeína podem permanecer durante exercícios de alta intensidade e como a substância interfere na percepção do esforço e no desempenho físico.


