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quarta-feira, março 25, 2026
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Alerta do IBGE: saúde mental de adolescentes brasileiros acende sinal vermelho

Pesquisa nacional revela altos índices de tristeza, irritação e sofrimento emocional entre estudantes de 13 a 17 anos, com impacto maior entre meninas

Um retrato preocupante da juventude brasileira foi divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe 2024) mostram que três em cada dez adolescentes entre 13 e 17 anos afirmam se sentir tristes sempre ou na maioria das vezes.

O levantamento ouviu 118.099 estudantes, de escolas públicas e privadas em todo o país, e revela um cenário que vai além da tristeza: cerca de 30% dos jovens relataram já ter tido vontade de se machucar de propósito, enquanto 18,5% disseram pensar frequentemente que a vida não vale a pena.

Outro dado que chama atenção é o nível de irritabilidade: 42,9% dos alunos afirmaram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados com facilidade, indicando um quadro emocional fragilizado e constante.

Desamparo e falta de apoio

A pesquisa também aponta uma sensação de isolamento crescente. Cerca de 26,1% dos adolescentes disseram sentir que ninguém se preocupa com eles, enquanto mais de um terço acredita que seus pais ou responsáveis não compreendem seus problemas.

Dentro das escolas, o suporte ainda é limitado. Menos da metade dos estudantes frequenta instituições com algum tipo de atendimento psicológico. A presença de profissionais especializados é ainda menor, alcançando apenas 34,1% dos alunos.

Essa ausência de apoio institucional reforça a necessidade de atenção urgente ao tema, especialmente em ambientes onde os jovens passam grande parte do tempo.

Diferença entre meninas e meninos

Os dados mostram um impacto significativamente maior entre as meninas. Elas apresentam índices mais altos em todos os indicadores avaliados:

  • 41% relatam tristeza frequente (contra 16,7% dos meninos);
  • 43,4% já tiveram vontade de se machucar;
  • 25% afirmam pensar frequentemente que a vida não vale a pena;
  • 58,1% se sentem irritadas ou emocionalmente instáveis.

Os pesquisadores destacam que essas diferenças exigem políticas públicas específicas, capazes de lidar com as particularidades emocionais e sociais enfrentadas pelas adolescentes.

Autoagressão e bullying

Entre os jovens que sofreram algum tipo de lesão no último ano, cerca de 100 mil casos foram autoprovocados, segundo estimativa do IBGE.

Dentro desse grupo, os indicadores emocionais são ainda mais críticos:

  • 73% se sentem tristes com frequência;
  • 62% não veem sentido na vida;
  • 69,2% já sofreram bullying.

O ambiente escolar, que deveria ser espaço de proteção e desenvolvimento, aparece também como cenário de vulnerabilidade para muitos estudantes.

Imagem corporal em queda

A insatisfação com a própria aparência também cresceu. O nível de satisfação caiu de 66,5% (em 2019) para 58% em 2024.

Entre as meninas, a situação é ainda mais delicada:

  • Mais de um terço se diz insatisfeita com o corpo;
  • 31% estão tentando perder peso, mesmo quando nem sempre há indicação de necessidade.

Esse dado evidencia a pressão estética e seus impactos diretos na saúde emocional dos jovens.

Onde buscar ajuda

Diante desse cenário, o próprio Ministério da Saúde reforça a importância de procurar apoio e não enfrentar o sofrimento sozinho.

Alguns caminhos disponíveis incluem:

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
  • Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • UPAs, hospitais e pronto atendimento;
  • Centro de Valorização da Vida – telefone 188 (atendimento gratuito, 24h).

Conversar com alguém de confiança — como familiares, amigos ou educadores — também é um passo essencial para iniciar o cuidado.

Conclusão

Os dados da PeNSe 2024 revelam mais do que números: mostram uma geração que enfrenta desafios emocionais profundos, muitas vezes em silêncio.

O alerta está dado. Agora, o desafio é coletivo — envolve famílias, escolas, profissionais de saúde e políticas públicas — para garantir que os adolescentes brasileiros tenham não apenas acesso à educação, mas também ao cuidado emocional necessário para crescer com equilíbrio e dignidade.

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