InícioEducação | InspiraçãoGoiana faz história como primeira quilombola aprovada em concurso para diplomata no...

Goiana faz história como primeira quilombola aprovada em concurso para diplomata no Brasil

Ex-aluna da UFG, Helen Jaine Gomes Borgens se preparou no interior de Goiás e conquistou uma vaga reservada a candidatos quilombolas; agora, sonha em chegar ao posto de embaixadora.

A determinação de uma jovem goiana acaba de marcar um capítulo importante na história da diplomacia brasileira. Helen Jaine Gomes Borgens tornou-se a primeira pessoa aprovada por meio da cota quilombola no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), abrindo caminho para ampliar a representatividade nas relações internacionais do país.

Natural de Goiânia, Helen pertence à comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste de Goiás. Ex-aluna da Universidade Federal de Goiás (UFG), ela conquistou a única vaga reservada a candidatos quilombolas no concurso, cuja remuneração inicial prevista no edital é de R$ 22,5 mil.

A confirmação da aprovação foi publicada em 23 de junho, segundo as informações divulgadas pela universidade.

Uma trajetória construída com persistência

O caminho até a aprovação exigiu dedicação e escolhas importantes. Durante a graduação em Relações Internacionais, Helen chegou a se afastar da área e considerou mudar de curso. O incentivo da mãe, que a aconselhou a insistir por mais um semestre, foi decisivo para que ela continuasse.

Foi nesse período que a estudante cursou a disciplina de Política Externa Brasileira, experiência que reacendeu seu interesse pela área e fortaleceu o sonho de se tornar diplomata.

O desejo de seguir a carreira começou a ganhar forma ainda antes da universidade, quando um professor de um curso preparatório para o vestibular a incentivou a conhecer essa possibilidade profissional.

Depois de concluir a graduação, em 2025, Helen voltou para Simolândia e passou a se dedicar à preparação para o concurso. Longe dos grandes centros de preparação especializada, precisou organizar os próprios estudos, inclusive para aprender inglês e aprofundar conhecimentos que iam além de sua formação básica.

Uma das primeiras iniciativas foi imprimir uma prova anterior para compreender o nível de exigência da seleção e dimensionar o desafio que teria pela frente.

Representatividade que abre caminhos

A conquista também tem relevância para as políticas de inclusão no serviço público federal. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o concurso foi o primeiro para a carreira diplomática realizado sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, que estabelece novas regras de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.

A aprovação de Helen demonstra como a ampliação das oportunidades pode contribuir para que pessoas de diferentes origens ocupem espaços historicamente pouco acessíveis.

Para ela, representar a população quilombola na diplomacia brasileira é motivo de orgulho e uma oportunidade de levar essa identidade a um ambiente de atuação internacional.

Seu sonho, porém, vai além do ingresso na carreira: Helen deseja alcançar o posto de embaixadora, uma das posições mais altas da diplomacia.

O que acontece após a aprovação?

O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática é organizado para selecionar profissionais que atuarão na representação dos interesses do Brasil diante de outros países e de organizações internacionais. A seleção é conhecida pelo alto nível de exigência e abrange diferentes áreas do conhecimento.

Entre as disciplinas cobradas estão História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito, além de outros conteúdos fundamentais para a atuação diplomática.

Após a aprovação, os candidatos devem cumprir a formação oferecida pelo Instituto Rio Branco, academia diplomática vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. O ingresso na carreira ocorre no cargo de terceiro-secretário.

A trajetória de Helen reúne superação de obstáculos, apoio familiar, dedicação aos estudos e o orgulho de suas raízes. Sua conquista representa não apenas uma realização individual, mas também um marco para a presença quilombola em espaços de decisão e representação do Brasil no cenário internacional.

De Simolândia para a diplomacia brasileira, Helen Jaine Gomes Borgens mostra que o acesso a novas oportunidades pode transformar sonhos pessoais em conquistas que inspiram toda uma comunidade.

RELATED ARTICLES
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Most Popular

Recent Comments