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SUS amplia acesso a teste genético para câncer de mama e reforça prevenção familiar

Novo exame poderá identificar mutações hereditárias ligadas ao câncer antes mesmo do surgimento da doença e ampliar acesso à medicina de precisão na rede pública

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo importante no combate ao câncer de mama ao passar a oferecer testes genéticos capazes de identificar mutações hereditárias associadas à doença. A medida foi oficializada pelo Ministério da Saúde e representa uma ampliação do acesso à chamada medicina personalizada, permitindo tratamentos mais precisos e estratégias preventivas para famílias com maior risco genético.

O exame utiliza a tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS), método moderno capaz de detectar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, conhecidos por aumentarem significativamente o risco de câncer de mama e também de câncer de ovário.

A novidade chega em um cenário preocupante. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra mais de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano, tornando a doença uma das principais causas de mortalidade feminina no país.

Na prática, a incorporação do teste ao SUS pode transformar tanto o tratamento de pacientes já diagnosticadas quanto a prevenção em familiares. Isso porque as mutações genéticas podem ser herdadas, permitindo que filhos, irmãos e outros parentes investiguem precocemente se também possuem predisposição ao desenvolvimento de tumores.

Até agora, exames genéticos desse tipo eram acessíveis principalmente na rede privada, muitas vezes com custos de milhares de reais. Em diversos casos, pacientes dependiam de planos de saúde, ações judiciais ou pesquisas clínicas para conseguir acesso ao diagnóstico molecular.

Tratamentos mais direcionados e prevenção antecipada

A identificação das mutações BRCA interfere diretamente nas decisões médicas. Mulheres que apresentam alterações genéticas hereditárias podem se tornar elegíveis para terapias-alvo específicas, como medicamentos desenvolvidos especialmente para tumores com esse perfil molecular.

Além disso, o exame ajuda médicos a evitarem tratamentos menos eficazes, permitindo estratégias terapêuticas mais individualizadas conforme o perfil genético de cada paciente.

Especialistas destacam que possuir mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2 não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá câncer, mas indica um risco significativamente maior ao longo da vida.

O rastreamento genético também pode influenciar decisões sobre cirurgias preventivas, acompanhamento mais rigoroso e exames realizados em intervalos menores para pessoas consideradas de maior risco.

Impacto pode atingir famílias inteiras

O alcance da medida vai além das pacientes diagnosticadas. Como as mutações podem ser transmitidas geneticamente, a descoberta em uma integrante da família pode levar outras pessoas a realizarem exames preventivos antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Estudos genômicos apontam que parte significativa dos familiares de pacientes com mutações hereditárias também apresenta alterações genéticas relacionadas ao câncer, mesmo sem diagnóstico prévio da doença.

Na prática, isso permite monitoramento antecipado, rastreamento precoce e maior chance de detecção em estágios iniciais, quando as possibilidades de tratamento costumam ser mais eficazes.

As alterações identificadas pelo exame também estão relacionadas ao aumento do risco de câncer de ovário, ampliando o cuidado preventivo dentro das famílias.

Desafios ainda existem

Apesar do avanço, especialistas alertam que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para ampliar a oncogenética em larga escala. O país possui número reduzido de geneticistas clínicos e poucos centros especializados para atender toda a demanda nacional.

Mesmo assim, a chegada do teste BRCA ao SUS é considerada uma mudança importante no cuidado oncológico brasileiro, aproximando pacientes da rede pública de tecnologias antes restritas à medicina privada.

O Ministério da Saúde estabeleceu prazo de até 180 dias para o início da oferta do exame na rede pública.

Importante

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou orientação profissional. Em caso de dúvidas, sintomas ou histórico familiar da doença, procure atendimento médico especializado.

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