Medida do Ibama reforça combate ao comércio internacional e amplia proteção à espécie ameaçada
O Brasil deu um passo importante na proteção da vida marinha. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou a proibição da exportação de barbatanas do tubarão-azul quando separadas do corpo do animal, prática associada ao comércio internacional e à pressão sobre a espécie.
A decisão, anunciada pelo presidente do órgão, Rodrigo Agostinho, amplia as regras já existentes no país. Até então, o Brasil já proibia o chamado finning — que consiste na retirada das barbatanas e devolução do animal ao mar ainda vivo. No entanto, não havia restrição específica para a exportação dessas partes.
Agora, a nova medida fecha essa brecha e busca reduzir o incentivo econômico por trás da atividade.
Pressão internacional e mercado asiático
As barbatanas de tubarão são altamente valorizadas em países da Ásia, especialmente para o preparo de sopas consideradas iguarias. Esse mercado global tem sido um dos principais fatores de exploração da espécie.
O tubarão-azul já integra o Anexo II da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), tratado internacional que regula o comércio de espécies ameaçadas.
Além disso, o Brasil também passa a proibir a importação de espécies listadas pela Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), reforçando o compromisso com a conservação global.
Decisão segue acordo internacional
A medida foi tomada após a aprovação do Plano de Ação para o tubarão-azul durante a Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande (MS).
Com o consenso entre os países participantes, o Brasil passa a ter obrigação de implementar políticas públicas alinhadas à preservação da espécie.
Segundo o Ibama, a nova regra será oficializada por meio de uma instrução normativa publicada no Diário Oficial da União e entrará em vigor em até sete dias.
Impacto ambiental e futuro da espécie
A proibição é vista como um avanço importante na proteção dos tubarões, animais fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. A redução do comércio de barbatanas pode contribuir diretamente para frear a pesca predatória e evitar o declínio populacional.
Mais do que uma decisão regulatória, a medida representa um sinal claro de que o Brasil busca se alinhar às práticas internacionais de conservação e sustentabilidade.


