Crescimento na alta gestão destaca avanço feminino em cargos estratégicos e amplia diversidade no setor público
A presença de mulheres em cargos de alta liderança no Executivo Federal brasileiro cresceu de 29% em 2022 para 38% em 2026, segundo levantamento do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O avanço de 9 pontos percentuais evidencia uma mudança gradual, porém consistente, na ocupação feminina de posições estratégicas no país.
O estudo “Perfil das Lideranças no Governo Federal – Recorte de Gênero” revela que o avanço não se limita apenas aos cargos mais altos. Considerando todo o conjunto de funções de confiança — como direção, chefia e assessoramento — as mulheres já ocupam 43% dessas posições, frente a 39% em 2022.
Mais mulheres em decisões estratégicas
O crescimento é especialmente relevante nos níveis mais altos da gestão pública, onde decisões estratégicas impactam diretamente políticas públicas em todo o país. A ampliação da presença feminina nesses espaços reforça uma transformação gradual rumo a um modelo mais equilibrado e representativo.
De acordo com a Secretaria de Gestão de Pessoas, responsável pelo estudo, a tendência é resultado de políticas de inclusão e de uma maior valorização da diversidade dentro do setor público.
Diversidade racial também avança
Outro destaque do levantamento é o aumento da representatividade racial. A presença de mulheres negras e indígenas em cargos de alta liderança subiu de 7,1% para 12,3% no período analisado.
O dado evidencia não apenas o avanço da participação feminina, mas também um movimento importante de inclusão dentro das estruturas de poder — ainda historicamente marcadas por desigualdades.
Alta qualificação e crescimento profissional
O estudo também aponta que as mulheres em posições de liderança apresentam elevado nível de qualificação. Cerca de 99% possuem ensino superior ou pós-graduação, índice semelhante ao dos homens.
Além disso, há um movimento de ascensão para faixas salariais mais altas, indicando não apenas maior presença, mas também reconhecimento profissional.
Desafios ainda existem
Apesar dos avanços, o cenário ainda está distante da igualdade plena. As mulheres representam cerca de 41,7% do total de servidores federais, o que mostra que, mesmo com crescimento na liderança, ainda há espaço para ampliar a participação feminina em toda a estrutura pública.
Para especialistas envolvidas no estudo, o caminho passa por ampliar o acesso ao serviço público e fortalecer políticas que garantam igualdade de oportunidades — desde o ingresso até os cargos mais altosPolíticas públicas e mudança de cenário
Iniciativas recentes, como ações afirmativas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), têm buscado equilibrar a participação de homens e mulheres já nas etapas iniciais de seleção. A medida prevê equiparação no número de candidatas convocadas para fases seguintes quando houver desigualdade, sem comprometer o critério de mérito.
Esse tipo de estratégia reflete um esforço institucional para corrigir distorções históricas e acelerar a equidade de gênero no setor público.
Um novo retrato da liderança pública
Os dados mostram que o Brasil caminha, ainda que gradualmente, para uma gestão pública mais diversa e inclusiva. A presença crescente de mulheres em cargos estratégicos não apenas amplia a representatividade, mas também contribui para decisões mais plurais e alinhadas com a realidade da população.


