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segunda-feira, fevereiro 16, 2026
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Bloco inclusivo transforma Carnaval de Brasília em símbolo de respeito e acessibilidade

Há 14 anos, o bloco Deficiente é a mãe luta contra o capacitismo e garante espaço para pessoas com deficiência na folia

No ritmo da inclusão e da cidadania, o bloco Deficiente é a mãe vem transformando o Carnaval de Brasília em um espaço mais acessível para pessoas com deficiência. Criado há 14 anos pela historiadora Lurdinha Danezy Piantino, o movimento nasceu da necessidade de combater o capacitismo e garantir que todos possam participar da maior festa popular do país sem barreiras físicas ou sociais.

A iniciativa surgiu a partir da percepção de que muitos eventos carnavalescos ainda carecem de rampas, pisos táteis, transporte acessível e intérpretes de Libras. Para Lurdinha, inclusão não é favor, é direito. Essa visão se fortalece na história de seu filho, Lúcio Piantino, artista multifacetado que interpreta a drag queen Úrsula Up, considerada a primeira do Brasil com síndrome de Down. Fora do personagem, ele atua como ator, dançarino, palhaço e artista plástico, mostrando que talento e diversidade caminham juntos.

Outro fundador do bloco, o aposentado Luiz Maurício Santos, cadeirante há quase três décadas, ressalta que a maior dificuldade ainda é mobilizar pessoas com deficiência para participarem, já que muitas têm receio de sofrer discriminação. Ainda assim, ele acredita que a presença nos espaços culturais é essencial para mudar mentalidades.

Entre os foliões assíduos está o jovem Francisco Boing Marinucci, de 22 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista. Ao lado da mãe, a professora Raquel, ele participa fantasiado de personagens do universo criado por Monteiro Lobato, inspiração do clássico Sítio do Picapau Amarelo que marcou sua infância. Para a mãe, o bloco representa um ambiente seguro e verdadeiramente acolhedor, algo ainda raro para jovens e adultos com deficiência intelectual.

Dados do IBGE indicam que o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais — 8,9% da população nessa faixa etária. A deficiência visual é a mais comum, atingindo aproximadamente 3,1% dos brasileiros.

Um desses brasileiros é Thiago Vieira, auxiliar de biblioteca com baixa visão desde o nascimento. Ao lado de sua cão-guia, ele celebra a existência de eventos inclusivos e acredita que iniciativas como o bloco ajudam a sociedade a se conscientizar sobre acessibilidade.

Já o secretário escolar Carlos Augusto Lopes de Sousa, cadeirante há 37 anos após um acidente, vê na festa um símbolo de respeito. Ele também demonstra esperança em avanços científicos, como a pesquisa liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, que desenvolve um composto experimental voltado à regeneração de lesões medulares — estudo que aguarda autorização da Anvisa para etapas clínicas ampliadas.

Mais do que festa, o bloco prova que inclusão se constrói com presença, visibilidade e respeito. No meio dos confetes e marchinhas, ele reafirma que o Carnaval só é completo quando todos podem participar.

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