Relatos de jovens revelam como o transtorno afeta a vida diária e destacam a importância do diagnóstico e do apoio psicológico
Olhar no espelho e não gostar de algo é comum — mas quando essa insatisfação se transforma em obsessão e passa a dominar a rotina, pode ser sinal de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). A condição, muitas vezes confundida com simples baixa autoestima, é um transtorno de saúde mental que provoca sofrimento intenso e interfere diretamente na vida social, acadêmica e emocional.

Charlotte, musicista que transformou sua experiência em um álbum conceitual, começou a perceber os sintomas ainda na adolescência. Ela acordava horas antes de sair para se maquiar repetidamente, tentando alcançar uma aparência “perfeita”. O comportamento se intensificou a ponto de ela evitar eventos sociais e até faltar à faculdade, comparecendo apenas em provas. O diagnóstico veio depois de acompanhamento psicológico e tratamento especializado em uma clínica residencial em Londres.
Segundo o psicólogo social Viren Swami, professor da Anglia Ruskin University, o transtorno se caracteriza por uma preocupação obsessiva com um aspecto da aparência que outras pessoas consideram normal. Quem convive com o TDC costuma gastar muito tempo pensando nisso, checando o espelho repetidamente ou tocando a parte do corpo que considera defeituosa.
Outro relato é o de Tilly, que também desenvolveu o transtorno na adolescência. Ela evitava espelhos em público, roupas ajustadas e eventos sociais, pois sentia vergonha da própria aparência. Ao ingressar na universidade para estudar moda, as comparações constantes com colegas agravaram os sintomas. Após anos buscando ajuda, recebeu o diagnóstico correto por meio de acompanhamento no sistema público de saúde britânico, o NHS, e passou a participar de grupos de apoio da BDD Foundation.
Com terapia adequada, ela aprendeu a reconhecer pensamentos distorcidos e interromper crises de ansiedade relacionadas à própria imagem. Hoje, afirma que se sente mais leve e que reencontrou a alegria de viver — algo que não sentia desde a infância.
Especialistas reforçam que o TDC não desaparece sozinho e pode piorar sem tratamento. Procurar ajuda profissional é essencial, e o apoio de familiares e amigos deve ser baseado em empatia e paciência. Para quem convive com alguém que apresenta sinais do transtorno, a orientação é ouvir sem julgamentos e incentivar a busca por atendimento especializado.
Histórias como as de Charlotte e Tilly mostram que, embora o transtorno seja desafiador, a recuperação é possível. Com acompanhamento adequado, informação e apoio, muitas pessoas conseguem reconstruir a relação com a própria imagem e recuperar a qualidade de vida.


