Bloco celebra tradição, diversidade musical e memória de carnavalesco histórico durante o carnaval em Brasília
A tradicional região da Vila Planalto, em Brasília, voltou a pulsar ao som de ritmos regionais neste domingo de carnaval (15). A Praça Zé Ramalho, próxima à Praça dos Três Poderes, recebeu foliões que participaram do bloco Charrete — manifestação cultural que tem se consolidado como símbolo de resistência artística e comunitária na capital federal.
A festa aconteceu sob a simbólica proteção do bonecão de Joãozinho da Vila, fundador do antigo bloco Vilões da Vila e figura histórica do carnaval local. Após sua morte, em 2017, a região — situada próxima ao Lago Paranoá — ficou dois anos sem celebrações carnavalescas, retomadas apenas em 2019 com a criação do novo bloco.
O Charrete nasceu da união da Fanfarra Tropicaos com a Charretinha do Forró, iniciativa liderada pelo produtor cultural Thiago Fanis e apoiada por remanescentes do Vilões da Vila. O objetivo é preservar o legado cultural e histórico da comunidade, considerada uma das áreas mais tradicionais do Distrito Federal.
Ritmos que representam o Brasil
Diferente dos grandes blocos comerciais, o Charrete aposta na diversidade musical. O repertório reúne ritmos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de marchinhas, boleros, reggae e tecnobrega. A proposta é valorizar a cultura popular e oferecer um carnaval mais intimista, lembrando festas de interior.
Frequentadores relatam que o clima familiar e o tamanho reduzido do bloco são diferenciais. Para muitos, a experiência resgata a essência da folia de rua: proximidade entre os participantes, música ao vivo e forte identidade cultural.
Alegria com consciência social
Além da música, o evento também se tornou espaço de expressão cidadã. Durante o desfile, bandeiras da Palestina, mensagens feministas contra o assédio e adesivos políticos circularam entre os foliões. Havia ainda críticas a decisões econômicas e manifestações relacionadas ao ex-presidente Donald Trump e ao Banco Master, mostrando que, para o público, o carnaval também é um espaço de reflexão social.
A combinação entre festa e posicionamento reforça a visão compartilhada pelos participantes: o carnaval é, historicamente, uma manifestação cultural que mistura alegria e liberdade de expressão.
Mais do que um bloco, o Charrete se consolida como símbolo de resistência cultural e comunitária — prova de que tradições locais podem sobreviver e se fortalecer mesmo diante das mudanças urbanas e do crescimento das grandes festas comerciais.


