Google search engine
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
Google search engine
InícioEconomia | AgronegócioBrasil e Índia avançam em acordo que pode impulsionar exportações de feijões...

Brasil e Índia avançam em acordo que pode impulsionar exportações de feijões em 2026

Protocolo preferencial em negociação promete ampliar contratos, reduzir riscos comerciais e fortalecer presença brasileira no maior mercado consumidor mundial de leguminosas

O avanço das negociações entre Brasil e Índia para a assinatura de um acordo preferencial de exportação de feijões é visto pelo setor agrícola como um passo estratégico para garantir previsibilidade comercial e ampliar a presença brasileira no mercado asiático a partir de 2026. O tema deve integrar a agenda internacional do presidente Lula e já conta com alinhamento sanitário entre os ministérios dos dois países, restando apenas o aval político final.

A Índia é atualmente um dos maiores consumidores globais de pulses — grupo que inclui diversas leguminosas — e importou cerca de 6 milhões de toneladas em 2024, movimentando aproximadamente US$ 4,3 bilhões. Desse volume, 1,3 milhão de toneladas foram de feijão-guandu, ingrediente tradicional em pratos locais como sopas e combinações com arroz e pães.

Embora o Brasil não tenha exportado essa variedade aos indianos no último ano, enviou 162,4 mil toneladas de feijões de outras categorias, principalmente mungo-preto. Segundo o Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses, o país deve exportar cerca de 420 mil toneladas de feijões em 2026 para todos os destinos — volume cerca de 20% menor que as 527,5 mil toneladas estimadas para 2025. A redução reflete um ajuste estratégico no mix exportado e não perda de competitividade estrutural.

Entre as variedades com maior potencial está o mungo-preto, cuja produção nacional foi impulsionada após o lançamento oficial da cultivar pelo Instituto Agronômico de Campinas em 2024. A novidade posicionou o Brasil entre fornecedores relevantes da leguminosa no mercado internacional. Outras variedades também ganharam força: o feijão-preto chegou a 59 mil toneladas exportadas recentemente, enquanto rajados, vermelhos e brancos somaram 54 mil toneladas. Já o caupi branco, produzido principalmente em Mato Grosso, ultrapassou 66 mil toneladas.

De acordo com Marcelo Lüders, presidente do instituto, a abertura do mercado indiano poderá trazer estabilidade para produtores e exportadores. O crescimento do setor tem sido impulsionado pela integração entre pesquisa e produção, com participação de instituições como a Embrapa e o IDR-Paraná, responsáveis pelo desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas ao clima brasileiro.

Outro fator decisivo é o projeto Brazil Super Foods, iniciativa internacional de promoção comercial realizada em parceria com a ApexBrasil, que fortalece a presença dos produtos brasileiros em feiras e eventos globais.

Apesar do avanço das exportações, o abastecimento interno segue garantido graças ao feijão-carioca, responsável por cerca de 65% da produção nacional e destinado principalmente ao consumo doméstico. Historicamente, essa predominância limitava a inserção internacional do país, já que a variedade é pouco consumida fora do Brasil. O novo cenário, porém, indica uma virada estratégica, com diversificação de cultivos e ampliação de mercados.

RELATED ARTICLES
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Most Popular

Recent Comments