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quarta-feira, abril 15, 2026
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Escala 6×1 pode chegar ao fim: governo propõe semana de 5 dias e 40 horas

Projeto enviado ao Congresso prevê mais descanso ao trabalhador sem redução salarial e já inicia debate na Câmara

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que pode transformar a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. A proposta prevê o fim da escala 6×1 — modelo em que se trabalha seis dias para descansar apenas um — e estabelece uma nova jornada baseada na escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado.

Além disso, o texto reduz o limite da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem permitir redução de salário, o que representa uma das principais mudanças nas regras trabalhistas dos últimos anos.

Mais tempo fora do trabalho

Segundo o governo federal, a proposta tem como objetivo garantir mais qualidade de vida. A ideia é permitir que o trabalhador tenha mais tempo com a família, para o lazer e para o descanso — fatores que também podem impactar positivamente na produtividade e na economia.

Dados da Presidência indicam que cerca de 14 milhões de brasileiros ainda trabalham na escala 6×1, incluindo aproximadamente 1,4 milhão de trabalhadores domésticos.

O que muda na prática

Se aprovado, o projeto estabelece:

  • Jornada semanal reduzida para 40 horas
  • Dois dias de descanso remunerado (escala 5×2)
  • Proibição de redução salarial
  • Possibilidade de negociação coletiva para definir dias de folga
  • Manutenção do regime 12×36 em casos específicos

A escala 12×36, comum em áreas como saúde e segurança, continuará permitida desde que respeite a média semanal de 40 horas.

Tramitação acelerada

O projeto foi enviado com urgência constitucional, o que limita o tempo de análise no Congresso. Caso não seja votado dentro do prazo, ele pode travar a pauta de outras votações.

A proposta já começou a ser discutida na Câmara dos Deputados, sob liderança do presidente da Casa, Hugo Motta. No entanto, o debate não será simples.

Disputa de propostas

Além do projeto do governo, já tramita uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do mesmo tema, com regras ainda mais rígidas — como jornada máxima de 36 horas semanais e até três dias de folga.

A estratégia acordada entre Executivo e Legislativo é que os dois textos avancem simultaneamente, até que se defina qual tem maior viabilidade política.

Reações e desafios

Enquanto trabalhadores veem a proposta como avanço social, representantes do setor produtivo demonstram preocupação. Empresários alertam para possível aumento de custos e impactos na competitividade.

Economistas, por sua vez, defendem que a mudança precisa vir acompanhada de ganhos de produtividade, investimentos e qualificação profissional.

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