Educadora brasileira recebe prêmio internacional em Dubai por transformar sucata em robótica educacional e usar as redes sociais para levar educação além da sala de aula.
A educação brasileira ganhou destaque internacional com o reconhecimento da professora Débora Garofalo, eleita a professora mais influente do mundo ao receber o prêmio Global Teacher Influencer of the Year. A premiação aconteceu na última segunda-feira, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, marcando a primeira edição do prêmio, criado para valorizar educadores que utilizam as redes sociais como ferramenta de transformação educacional.
Débora se tornou a primeira professora do mundo a receber esse reconhecimento, que celebra profissionais capazes de levar o ensino para além da sala de aula, conectando educação, inovação e impacto social.
Em entrevista à CNN, a educadora contou que recebeu a notícia de forma inesperada. Segundo ela, a ligação dos organizadores ocorreu por volta das duas horas da manhã, no horário do Brasil.
“Recebi uma ligação inusitada pedindo para que eu fosse até Dubai. Eles disseram apenas que eu seria reconhecida, mas jamais imaginei que se tratava de uma premiação desse porte”, relatou.
Projeto que nasceu da adversidade
O reconhecimento internacional veio principalmente pelo projeto de robótica com sucata, criado por Débora em 2015, na Emef Almirante Ariparreiras, localizada em uma região de alta vulnerabilidade social na cidade de São Paulo.
Segundo a professora, a iniciativa surgiu a partir de uma demanda real dos próprios estudantes.
“Eles me disseram que o lixo era um problema na vida deles. Um lixo que, muitas vezes, impedia essas crianças de chegarem até a escola”, explicou.
Diante desse cenário, Débora decidiu transformar a dificuldade em aprendizado. Em vez de enxergar o lixo apenas como um problema, passou a utilizá-lo como objeto de conhecimento, aplicando conceitos de robótica, ciência e tecnologia a partir de materiais descartados.
O que começou como uma solução local ganhou escala e se tornou política pública no estado de São Paulo, estando presente hoje em 5.400 escolas e beneficiando cerca de 3,7 milhões de estudantes.
“Mesmo em contextos de escassez, é possível promover uma educação de qualidade, com equidade e acesso à inovação”, destacou a educadora.
Educação e influência nas redes sociais
Apesar do título, Débora afirma não se enxergar como uma influenciadora digital nos moldes tradicionais. Para ela, as redes sociais sempre foram uma ferramenta de troca e fortalecimento da prática docente.
“Desde 2015, utilizo as redes sociais para dialogar com outros professores e incentivar que eles conheçam e adaptem práticas que desenvolvo em sala de aula”, afirmou.
A professora também ressaltou que temas como robótica e inteligência artificial ainda enfrentam desafios no Brasil, especialmente devido às desigualdades estruturais entre regiões. Nesse contexto, o prêmio ganha um significado ainda maior.
“Estamos acostumados a ver influenciadores da música, do entretenimento ou de áreas que nem sempre têm domínio sobre determinados temas. Ter um professor reconhecido por esse meio faz toda a diferença”, afirmou.
Para Débora, o prêmio representa um símbolo coletivo.
“É um orgulho, uma honra, mas principalmente uma forma de elevar a educação brasileira ao mais alto nível mundial”, concluiu.
A educadora também reforçou que o reconhecimento internacional evidencia a necessidade urgente de investimento contínuo em educação e de maior valorização dos professores no Brasil.


