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SUS prepara novo fitoterápico brasileiro à base da planta quebra-pedra

Fitoterápico à base da planta quebra-pedra une ciência, biodiversidade e saberes tradicionais para ampliar o acesso a tratamentos seguros na saúde pública

O Brasil está prestes a dar um passo histórico na integração entre conhecimento ancestral e inovação científica. Em cerca de seis meses, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve lançar um novo medicamento fitoterápico desenvolvido a partir da planta Phyllanthus niruri, popularmente conhecida como quebra-pedra, amplamente utilizada há séculos no cuidado com distúrbios urinários.

O projeto envolve instituições estratégicas como a Fiocruz, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e se destaca por colocar o conhecimento tradicional associado no centro do processo de desenvolvimento farmacêutico, respeitando integralmente a legislação brasileira de acesso à biodiversidade e repartição de benefícios.

Da medicina tradicional ao medicamento do SUS

A quebra-pedra sempre fez parte da prática terapêutica de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Agora, esse saber histórico avança para um novo patamar ao passar por rigorosos processos de padronização, controle de qualidade e validação científica, exigidos para medicamentos distribuídos pelo SUS.

O desenvolvimento do fitoterápico inclui a produção de lotes-piloto, análises laboratoriais detalhadas e estudos de estabilidade. Após essa etapa, o medicamento será submetido à avaliação da Anvisa, processo que pode levar até dois anos até a liberação definitiva.

Parcerias estratégicas e segurança regulatória

O acordo firmado entre o PNUD e a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), reforça o papel do Brasil como referência em inovação em saúde pública baseada na biodiversidade. Além disso, a cooperação técnica com o MMA estimula novas pesquisas com plantas medicinais brasileiras, criando um ambiente favorável para futuros fitoterápicos.

Segundo especialistas envolvidos no projeto, o modelo adotado garante não apenas segurança e eficácia terapêutica, mas também justiça social, ao assegurar o consentimento prévio e a repartição de benefícios com as comunidades detentoras do conhecimento tradicional.

Fortalecimento da cadeia produtiva e da economia verde

O projeto conta com investimento de R$ 2,4 milhões, destinados à adequação de maquinário, aquisição de equipamentos, compra de insumos e realização de estudos laboratoriais. Mais do que um novo medicamento, a iniciativa fortalece toda a cadeia produtiva nacional, conectando:

  • produção sustentável da matéria-prima
  • desenvolvimento do insumo farmacêutico ativo
  • fabricação do medicamento final
  • fortalecimento da indústria pública de saúde

Para a secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, a iniciativa inaugura um novo ciclo na política de medicamentos naturais do país. Já a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, destaca que o projeto amplia o acesso da população a medicamentos seguros, ao mesmo tempo em que promove o uso sustentável da biodiversidade brasileira.

Inovação terapêutica no cuidado com distúrbios urinários

O fitoterápico à base de Phyllanthus niruri foi desenvolvido para atuar em diferentes fases da litíase urinária, condição caracterizada pela formação de cálculos no trato urinário. Essa abordagem amplia o potencial terapêutico do medicamento e diferencia o produto de outras opções já disponíveis no mercado.

A proposta reforça a importância de integrar ciência moderna e conhecimento ancestral como estratégia eficaz para enfrentar desafios da saúde pública brasileira.

Um novo caminho para os fitoterápicos no Brasil

Ao transformar uma planta tradicional em um medicamento regulado, seguro e acessível pelo SUS, o Brasil inaugura uma nova fase na Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. O projeto estabelece bases sólidas para futuras inovações que respeitem territórios, culturas e a biodiversidade, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso da população a tratamentos eficazes.

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