Google search engine
segunda-feira, março 16, 2026
Google search engine
InícioSaúde | CiênciaMétodo brasileiro aponta melhora de 45% na memória de idosos em estudo...

Método brasileiro aponta melhora de 45% na memória de idosos em estudo da USP

Pesquisa acompanhou 207 participantes por dois anos e identificou ganhos cognitivos, redução de sintomas depressivos e melhora na qualidade de vida

Um método brasileiro de estimulação cognitiva aplicado em idosos saudáveis apresentou resultados promissores em estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa indicou melhora de cerca de 45% no desempenho da memória após um ano entre participantes que realizaram o programa.

O estudo foi publicado em janeiro na revista científica International Psychogeriatrics e avaliou os efeitos do chamado Método Supera, um programa de exercícios mentais e atividades cognitivas voltado ao fortalecimento das funções cerebrais.

A pesquisa foi conduzida em parceria entre o Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da instituição. Ao todo, 207 pessoas com 60 anos ou mais participaram do acompanhamento ao longo de dois anos.

Segundo os pesquisadores, além do avanço na memória, os participantes também apresentaram melhora no humor, redução de sintomas depressivos e maior percepção de qualidade de vida. Os resultados se aplicam a idosos escolarizados que não apresentavam diagnóstico de demência ou comprometimento cognitivo no início do estudo.

Como funciona o método

O Supera é um curso de estimulação cognitiva com aulas semanais de duas horas, que combinam atividades lúdicas e exercícios estruturados para estimular diferentes áreas do cérebro.

O método é inspirado na teoria das inteligências múltiplas desenvolvida por Howard Gardner e também utiliza conceitos científicos como neuroplasticidade e metacognição, que tratam da capacidade do cérebro de se adaptar e aprender ao longo da vida.

Entre as atividades propostas nas aulas estão:

  • cálculos com ábaco;
  • jogos de tabuleiro e jogos digitais;
  • exercícios em livros de atividades;
  • atividades neuróbicas — exercícios que estimulam o cérebro fora da rotina habitual;
  • interação social entre os participantes.

Embora o estudo tenha se concentrado em idosos, a rede educacional responsável pelo método atende pessoas de diferentes idades, com programas voltados desde crianças até adultos interessados em melhorar foco, memória e produtividade.

Fundada há cerca de 20 anos em São José dos Campos (SP), a rede possui atualmente mais de 250 unidades em funcionamento no Brasil.

Como a pesquisa foi feita

Para avaliar os efeitos do método, os pesquisadores realizaram um ensaio clínico randomizado e controlado, considerado um dos modelos mais confiáveis de pesquisa científica.

Os participantes foram divididos em três grupos:

  • Grupo experimental: realizou as atividades do Método Supera;
  • Grupo controle ativo: participou de aulas teóricas sobre envelhecimento e qualidade de vida;
  • Grupo controle passivo: manteve apenas a rotina habitual.

Durante 18 meses, os participantes do grupo experimental participaram de 72 aulas presenciais, além de tarefas para casa e atividades em uma plataforma digital com jogos cognitivos.

Já o grupo controle ativo participou de encontros com especialistas em gerontologia para discutir temas como saúde, estilo de vida e direitos da pessoa idosa. O grupo controle passivo foi avaliado apenas nos momentos definidos pelos pesquisadores.

As avaliações ocorreram aos 6, 12, 18 e 24 meses, por meio de testes neuropsicológicos que medem habilidades como memória, atenção, linguagem e funções executivas.

Resultados observados

Os pesquisadores observaram melhorias especialmente em habilidades relacionadas à flexibilidade mental e fluência verbal, medidas por testes nos quais os participantes precisam citar palavras que começam com determinada letra em um tempo limitado.

Os principais resultados foram:

  • 45% de melhora no desempenho da memória após 12 meses;
  • 11% de aumento nas funções executivas (atenção, foco e raciocínio);
  • 9% a 10% de melhora na cognição global;
  • redução das queixas de memória e melhor percepção do próprio desempenho mental.

Esses ganhos se tornaram mais evidentes a partir dos 18 meses de participação e foram mantidos mesmo seis meses após o fim do programa, indicando que parte dos efeitos pode permanecer ao longo do tempo.

Impacto no bem-estar

Outro aspecto avaliado foi o impacto emocional do programa. Os participantes que realizaram o método apresentaram redução mais significativa nos sintomas depressivos, especialmente após 18 meses.

Os pesquisadores destacam que a combinação entre estimulação cognitiva e convivência social presencial pode ter contribuído para esse resultado.

A qualidade de vida também foi avaliada com a escala CASP-19, utilizada internacionalmente para medir bem-estar em pessoas com mais de 55 anos. Após um ano de participação, os idosos do grupo experimental demonstraram maior sensação de autonomia, prazer e realização pessoal.

Para os autores do estudo, os resultados indicam que programas desse tipo podem contribuir para o fortalecimento da chamada reserva cognitiva, um conjunto de recursos mentais acumulados ao longo da vida que ajudam o cérebro a lidar melhor com o envelhecimento e possíveis doenças neurodegenerativas.

RELATED ARTICLES
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Most Popular

Recent Comments