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Cartas que curam: médico residente emociona pacientes com despedidas humanizadas no Cresm

Iniciativa no Complexo de Saúde Mental em Goiás transforma o momento da alta em um novo começo cheio de significado, acolhimento e esperança

Nem toda alta hospitalar representa apenas o fim de um tratamento. Em muitos casos, ela marca o início de uma nova fase — e, no Complexo de Referência Estadual em Saúde Mental Professor Jamil Issy (Cresm), esse momento tem ganhado um significado ainda mais profundo.

Na unidade do Governo de Goiás, o médico residente em psiquiatria R2, Dário Rafael Macêdo dos Reis, vem emocionando pacientes e profissionais com uma iniciativa simples, mas poderosa: a escrita e leitura de cartas personalizadas no momento da alta.

Mais do que um gesto simbólico, as cartas se tornaram uma extensão do cuidado. Nelas, o médico resgata a trajetória de cada paciente durante a internação, valoriza conquistas, reforça orientações importantes e, principalmente, incentiva a continuidade do tratamento fora do ambiente hospitalar.

A prática nasceu como uma forma de fortalecer o vínculo terapêutico, trazendo para o processo de alta algo que muitas vezes falta na rotina hospitalar: tempo, escuta e reconhecimento.

Cada carta carrega não apenas palavras, mas histórias. Histórias de superação, de enfrentamento silencioso e de reconstrução.

Um dos pacientes que vivenciou esse momento foi Andrei Quevedo Lobato, que esteve internado no Núcleo B da unidade. Ao receber sua carta, ele teve sua jornada traduzida em palavras que acolhem e, ao mesmo tempo, apontam para o futuro.

Em um dos trechos, o médico escreve:

“Andrei, meu querido viajante, hoje, ao escrever esta carta, sinto algo que poucas vezes a medicina me ajudou a nomear: orgulho misturado com uma preocupação que só quem caminhou ao seu lado poderia ter.
Você chegou até nós carregando 34 anos de vida, como quem carrega uma mala pesada demais. (…)
Você conseguiu controlar a tristeza que parecia eterna. (…) Isso não é pouco — isso é libertador.
Foi um desafio imenso para toda a equipe do Cresm trazer esperança, satisfação e alegria de volta à sua vida, mas você foi o maior responsável por essa virada. Nós apenas acreditamos; foi você quem fez.”

A iniciativa evidencia, na prática, como a humanização no atendimento pode impactar diretamente a forma como o paciente encara a alta. Mais do que encerrar um ciclo, o momento passa a ser compreendido como um marco de conquista e continuidade.

No Cresm, ações como essa reforçam um compromisso que vai além do tratamento clínico: o cuidado integral. Um cuidado que considera o paciente em sua totalidade — emocional, social e humana.

Porque, às vezes, algumas palavras têm o poder de fazer o que remédios não conseguem: lembrar alguém de que é possível recomeçar.

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