Com 28 metros e capacidade para até 250 passageiros, veículo coloca a capital goiana na vanguarda da mobilidade sustentável no Brasil
Goiânia entrou oficialmente para o mapa global da inovação ao colocar em operação, nesta sexta-feira (30/01), o maior ônibus elétrico do mundo. Com 28 metros de comprimento, o veículo passa a integrar o sistema de transporte coletivo da capital e representa um marco histórico para a mobilidade urbana elétrica no país.
O modelo biarticulado impressiona não apenas pelo tamanho, mas pela capacidade e tecnologia embarcada. Com três módulos conectados por duas sanfonas, o ônibus pode transportar até 250 passageiros, superando os maiores modelos atualmente em operação no Brasil e no exterior. Para efeito de comparação, ônibus convencionais têm cerca de 13 metros, enquanto os maiores utilizados em São Paulo chegam a 23 metros.
Fabricado em Curitiba, por meio de parceria entre Volvo e Marcopolo, cada unidade tem custo estimado em R$ 6 milhões. Segundo o Consórcio BRT, Goiânia prevê a aquisição de 130 ônibus elétricos, de diferentes tamanhos, totalizando um investimento aproximado de R$ 450 milhões. A iniciativa reforça o compromisso da cidade com soluções sustentáveis e eficientes para o transporte público.
Tecnologia embarcada e infraestrutura inédita
O maior ônibus elétrico do mundo opera com dois motores elétricos e até oito baterias instaladas sob o piso, que juntas alcançam 720 kW de capacidade. Essa configuração garante autonomia de até 300 quilômetros, com tempo de recarga entre duas e três horas, graças ao uso de carregadores de alta potência.
Para viabilizar a operação, Goiânia inaugurou também o maior terminal de recarga de ônibus elétricos do Brasil, com 46 posições simultâneas. De acordo com Ciro Lima, diretor da Nansem, a estrutura energética é comparável a um pequeno bairro em funcionamento contínuo:
“São 23 carregadores de 240 kW, o que exige uma subestação de 6,05 MW — energia suficiente para manter cerca de 6 mil chuveiros ligados ao mesmo tempo.”
Impactos econômicos e ambientais
Apesar do investimento inicial elevado, a expectativa é de redução significativa de custos ao longo do tempo. Segundo Patrick Lucas, gerente de infraestrutura do Consórcio BRT, a economia se dá principalmente na manutenção e no combustível:
“A manutenção do veículo elétrico é infinitamente menor do que a do veículo a diesel.”
Além da diminuição de gastos operacionais, os ônibus elétricos contribuem para a redução de emissões de poluentes e ruídos, melhorando a qualidade de vida urbana. A iniciativa se soma a outras medidas adotadas pela capital, como o uso de semáforos com inteligência artificial e a manutenção da tarifa congelada em R$ 4,30 há sete anos.
Com esse avanço, Goiânia se consolida como referência nacional em mobilidade urbana sustentável, inovação tecnológica e compromisso ambiental, mostrando que o futuro do transporte público já está em circulação.


